Merkl e Putin unidos pela economia

Merkl e Putin unidos pela economia

 

Lusa/AO online   Internacional   15 de Out de 2007, 16:51

O Presidente russo e a chanceler alemã sublinharam esta segunda-feira a convergência de interesses económicos entre a Rússia e a Alemanha, embora reconhecendo divergências quanto aos conflitos internacionais como o do Irão ou o do Kosovo.
    A parceria estratégica com a Rússia "está cheia de vida", disse Angela Merkel, em Wiesbaden, após mais uma Cimeira Alemanha-Rússia em que participaram ao todo 25 ministros dos dois países.

    Vladimir Putin enalteceu a cooperação "objectiva e numa base de grande confiança" com Merkel.

    O chefe de Estado russo deixou claro que as notícias de que poderia ser alvo de um atentado terrorista em Teerão não o fizeram desistir da visita oficial ao Irão, hoje e na terça-feira.

    "Naturalmente que vou ao Irão, porque se desse sempre ouvidos a esses avisos e ameaças não sairia de casa", sublinhou Putin.

    Simultaneamente, o Presidente russo voltou a pronunciar-se contra a adopção pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas de nova sanções contra o Irão, se o regime fundamentalista islâmico não renunciar ao programa nuclear.

    "É inútil tentar amedrontar o Irão", disse Putin, advogando uma solução pela via do diálogo.

    Angela Merkel discordou, reiterando que se o Irão não acatar as resoluções da ONU, "têm de ser aprovadas novas sanções".

    Simultaneamente, a chanceler alemã admitiu que "continuam a existir hipóteses" de negociações entre Teerão e a comunidade internacional.

    Merkel e Putin realçaram que as relações económicas entre os dois países "são o cerne" da parceira entre os dois países e o Presidente russo considerou tais relações "um bom exemplo", sublinhando ainda que as duas grandes economias "se completam".

    Durante a Cimeira de Wiesbaden, o consórcio energético alemão EON anunciou ter adquirido a maioria das acções da empresa de centrais eléctricas russa OGK-4, por 4,1 mil milhões de euros.

    Na cimeira foi também abordada a questão do futuro estatuto da província sérvia do Kosovo e o plano dos Estados Unidos de construir um escudo anti-mísseis na Polónia e na República Checa.

    Embora Berlim e Moscovo tenham diferentes abordagens a estes problemas, Merkel e Putin optaram por não voltar a debatê-las em público.

    A chanceler advogou um "diálogo aberto" com a Rússia "porque os grandes problemas globais só podem ser resolvidos em conjunto".

    Quanto a Putin, garantiu a continuidade da política de Moscovo, após as eleições presidenciais de Março de 2008, em que já não poderá candidatar-se a um terceiro mandato.

    Sem esclarecer se será candidato a primeiro-ministro, Putin levantou, no entanto, a ponta do véu e deixou esta hipótese em aberto, ao afirmar que "a letra e o espírito" da Constituição da Rússia serão respeitados, o que não significa, porém, que os que "estão agora no poder percam o direito de participar na vida política do país".

    Convidada a dizer se a Cimeira Alemanha-Rússia de Wiesbaden era a última em que o seu interlocutor seria Vladimir Putin, a chanceler alemã foi também enigmática.

    "Vou recorrer à minha faculdade de saber esperar, como já fiz em várias ocasiões", disse Angela Merkel.
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