Crise

Mário Soares apoia Seguro contra mais medidas de austeridade

Mário Soares apoia Seguro contra mais medidas de austeridade

 

Lusa/AO Online   Economia   5 de Set de 2012, 10:03

O ex-Presidente da República Mário Soares criticou a possibilidade de implementação de novas medidas de austeridade em Portugal, sublinhando que essa é a linha que separa PSD e PS, que não se entendem sobre a matéria.

 

Escusando-se a comentar a possibilidade de os dois partidos não se entenderem acerca do Orçamento de Estado para 2013, Mário Soares sublinhou que as divergências entre o Governo da coligação PSD/CDS-PP e o PS estão a aumentar.

“Nunca vi o [António José] Seguro dizer uma coisa com tanta clareza como agora. Ele disse ‘não aceito mais austeridade’ e acho que fez muito bem”, disse o ex-líder socialista durante uma conferência em Loulé.

Em declarações aos jornalistas, Mário Soares criticou a possibilidade de haver mais medidas de austeridade, frisando: “[Significam] mais cortes, mais pessoas a sofrer, com mais dificuldades, a economia não progride, [está] mais paralisada e há mais desemprego”.

Durante a conferência, Mário Soares enquadrou a atual crise económica mundial, que disse alicerçar-se em boa parte na falta de ética do capitalismo atual, e disse que ela provocou a mais grave recessão da História portuguesa.

"E perante isto o primeiro-ministro faz um discurso aos jovens do seu partido em que diz que está muito contente, que as coisas estão a correr bem e que no próximo ano ainda vão correr melhor. Eu estou convencido exatamente do contrário, é que vai ser muito pior, se não mudarmos de paradigma, de política, e se não pusermos os mercados na ordem", disse.

"O pior é que o primeiro-ministro diz outra vez que vai cumprir [o pacto com a 'troika'] e a gente não tem nenhuma garantia de que assim seja, porque se continua a haver austeridade já sabemos que vai haver mais recessão e mais desemprego", disse, enfatizando que "não há espaço para mais impostos, mas se calhar vão ser obrigados a fazer mais".

Asseverando que o país "não está tão mudo como parece", Soares afirmou que os portugueses têm consciência "da situação dificílima que estamos a viver" e relevou a crescente contestação da sociedade civil.

"Dentro dos dois partidos da coligação há uma certa contradição, na RTP é nítido que o CDS está a dizer uma coisa diferente do PSD, dentro do próprio PSD dizem-se todos os dias coisas fantásticas contra o Governo", observou, sustentando que "há um movimento [social de contestação] que está em força, que se vai desenvolver muito e com muita rapidez".

Mário Soares escusou-se a comentar a situação na RTP, sobre a qual "já disse tudo o que tinha a dizer, que aquilo é uma vergonha, que não faz sentido nenhum", mas afirmou que não subscreverá o abaixo-assinado contra a privatização ou concessão de canais porque gosta mais "de falar individualmente do que em conjunto".

A sessão, integrada no ciclo "Horizontes do Futuro", foi organizada pela Câmara Municipal de Loulé.

 


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