Marcelo pede inovação no sistema político contra tentações radicais


 

Lusa/Ao online   Nacional   5 de Out de 2018, 21:13

O Presidente da República apelou esta quinta feira à permanente construção da democracia, defendendo que isso implica "a inovação e a proximidade no sistema político", voltando a advertir para as "tentações radicais, egoístas, chauvinistas ou xenófobas".

"As mesmas tentações que já lembrei em 25 de Abril passado, perante a incompreensão de alguns, mas que continuam a multiplicar-se um pouco por toda a parte", declarou Marcelo Rebelo de Sousa, na sessão solene comemorativa do 108.º aniversário da Implantação da República, na Praça do Município.

No seu discurso, de cerca de dez minutos, o chefe de Estado chamou a atenção para "as lições do passado" em Portugal e na Europa, passando em revista cada década do último século, para que não se cometam "os mesmos erros" que conduziram a crises, ditaduras e guerras.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que "vale a pena recordar estas e outras lições, num tempo em que a Europa terá de demonstrar que quer um futuro muito diferente do passado de há cem anos".

"Portugal terá de afirmar, em permanência, a qualidade da democracia, a inovação e a proximidade no sistema político, a consistência do crescimento económico, a equidade do sistema social, a capacidade para atrair os que não querem partir ou partiram e querem regressar, para oferecer horizontes que nos poupem a tentações radicais, egoístas, chauvinistas ou xenófobas", acrescentou.

Segundo o Presidente da República, é essencial "uma democracia cada vez mais forte" para concretizar "a verdadeira ideia para Portugal, a ideia de que tanto se fala e tantos buscam: ser plataforma entre culturas, oceanos e continentes".

A um ano de eleições legislativas e a cerca de meio ano de eleições europeias, Marcelo Rebelo de Sousa apontou o voto como "um caminho fundamental, na Europa como em Portugal, para a expressão dessa vontade coletiva", mas disse que "não é o único caminho".

"Todos os dias se constrói ou se destrói a democracia. Todos os dias se constrói ou se destrói o 05 de Outubro, a que ela se encontra hoje constitucionalmente ligada. Saibamos nós, todos nós, pelo voto e pela prática de cada dia, dar vida a esta celebração", apelou, declarando: "Viva a República, viva a democracia, mas, sobretudo, viva Portugal".

Antes, o chefe de Estado falou das décadas de ditadura e da instauração da democracia em Portugal, da posterior integração europeia e da ilusão de "um futuro eterno de paz e de progresso".

No seu entender, 1998 foi "o culminar da dupla crença", numa "Europa imparável" e num "Portugal duradouramente imune às crises - as crises que precisamente 2008 traria".

No final dessa exposição, concluiu: "Mais de um século de lições úteis para todos nós. Lições de como não há verdadeira democracia sem democratas. Não há verdadeira democracia sem direitos do homem e liberdade. Não há verdadeira democracia sem condições económicas e sociais que lhe confiram legitimidade de exercício. Não há verdadeira democracia sem permanente combate às desigualdades à pobreza, à corrupção das pessoas e das instituições".

"Não há verdadeira democracia sem sistema político dinâmico e gerador de alternativas. Não há verdadeira democracia sem atenção a entidades estruturantes como as Forças Armadas", completou.

No plano europeu, defendeu que "não há democracia sem Europa muito mais exigente para consigo mesma", com crescimento, emprego, justiça social, abertura, multiculturalismo, "renovação de estruturas e de pessoas", com "pedagogia constante" e "visão de médio e longo".

O chefe de Estado discursou na presença do primeiro-ministro, António Costa, do presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, do antigo Presidente da República Jorge Sampaio, da procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, e dos líderes do PSD, Rui Rio, do CDS-PP, Assunção Cristas, entre outros representantes dos partidos com assento parlamentar.




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