Açoriano Oriental
Covid-19
Maiores de 75 devem ter prioridade na vacinação mesmo sem doenças, defende Murpi

A Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos (Murpi) criticou hoje o plano de vacinação do Governo contra a covid-19, defendendo que as pessoas com mais de 75 anos devem ter prioridade, independentemente de terem doenças prévias.

Maiores de 75 devem ter prioridade na vacinação mesmo sem doenças, defende Murpi

Autor: AO Online/ Lusa

O Murpi estranha que as autoridades da saúde “não tenham relevado para o primeiro plano da vacinação as pessoas mais idosas, que são um grupo vulnerável, independentemente das comorbilidades”, afirmou a confederação em comunicado hoje divulgado.

Para a entidade, as pessoas com mais de 75 anos devem constituir um grupo prioritário e receber a vacina até final de março próximo.

“É inadmissível que este plano [do Ministério da Saúde] relegue a vacinação deste grupo social para a segunda fase, salvaguardando, somente, aqueles que apresentem, concomitantemente, doenças graves: respiratórias, cardíacas e renais”, refere o Murpi, lembrando que a Ordem dos Médicos também discordou dos critérios de prioridade na vacinação contra o SARS-COV-2.

“A confederação Murpi realça o facto de o Governo relegar para segundo plano a vacinação prioritária deste grupo social em contraste com as medidas inicialmente tomadas de confinamento, que agravaram a situação de isolamento das pessoas idosas”, afirma.

A Ordem dos Médicos defendeu na sexta-feira a mudança de critérios de vacinação, considerando que deve ser privilegiado o fator idade, para facilitar a identificação dos grupos-alvo e permitir reduzir a mortalidade, morbilidade e pressão nos serviços.

A posição foi justificada pelo bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, com o facto de “a taxa de letalidade variar de cerca de 0,3% na faixa dos 50 aos 59 anos até aos 13,6% acima dos 80 anos”.

“Nesse sentido, os profissionais e os residentes em lares, unidades de cuidados continuados e aqueles idosos que são acompanhados diretamente pelas famílias, beneficiariam da vacina logo numa primeira fase. Da mesma forma, no que aos profissionais de saúde diz respeito, defendemos que o fator idade e doenças associadas deveria ser considerado na seleção inicial, independentemente da unidade de saúde, região do país ou setor em que desenvolvessem a sua atividade”, argumentou num ofício dirigido ao ministério de Marta Temido.

O Plano Regional de Vacinação Covid-19 estabelece três fases, a começar pela população mais idosa e pelos profissionais do sistema de saúde, público e privado, ao que se seguem as pessoas com comorbilidades e, depois, o resto da população.

A estimativa aponta que sejam vacinadas 50 mil pessoas na primeira fase; outras 50 mil na segunda fase, e, por fim, 100 mil pessoas.

A campanha de vacinação arrancou no domingo em Portugal, à semelhança de outros países da União Europeia.

A vacina é facultativa, gratuita e universal, sendo assegurada pelo SNS.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.827.565 mortos resultantes de mais de 83,9 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 7.045 pessoas dos 423.870 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.



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