Lula defende democracia de Chavez e desvaloriza choque com rei de Espanha


 

Lusa/AO   Internacional   15 de Nov de 2007, 07:18

O presidente brasileiro afirmou quarta-feira que o seu homólogo venezuelano é um democrata que convocou várias eleições e não exagerou na sua polémica com Espanha, depois da altercação com o rei Juan Carlos de Borbón.
"Podem criticar (Hugo) Chavez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar Chavez. Mas por falta de democracia não é", disse Luiz Inácio Lula da Silva em declarações informais a jornalistas nos corredores do Palácio do Itamaraty, sede da chancelaria.

    "O que eu sei é que a Venezuela já teve três referendos, três eleições não sei para onde, já teve quatro plebiscitos", acrescentou.

    Sobre a polémica internacional iniciada depois do diferendo na Cimeira Ibero-Americana do Chile entre Chavez e o rei Juan Carlos de Espanha, Lula disse que o presidente venezuelano não exagerou.

    "Não há divergências entre o rei Juan Carlos e Chavez. Há muitas divergências entre outros chefes de Estado. A divergência faz parte de um encontro democrático", disse o presidente brasileiro.

    "Somos um conjunto de países democráticos que fizeram uma reunião democrática onde todos têm o direito de falar, tema livre, sobre aquilo que nos interessa", acrescentou Lula depois de um almoço com o seu homólogo da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira.

    Argumentou que as reuniões do G8, grupo dos países mais industrializados, onde o Brasil costuma ir como convidado costumam ocorrer discussões sérias por posições apresentadas que saem do protocolo.

    "Houve uma intervenção de Chavez que o rei entendeu que era demasiado. Era uma crítica ao ex-primeiro-ministro de Espanha que tinha apoiado o golpe", afirmou Lula.

    "E qual é a diferença? É que o rei estava na reunião. E quem disse ´cala-te´ foi o rei. Ou seja não foi nenhum de nós (os presidentes). Entre nós divergimos muito", disse.

    Lula foi testemunha do episódio da semana passada na sessão final da Cimeira, quando Chavez acusou o ex-chefe do governo espanhol José Maria Aznar de ter apoiado um golpe militar que o tirou do poder por 48 horas em Abril de 2002.

    O presidente brasileiro defendeu mais uma vez a entrada da Venezuela no Mercosur (Mercado Comum do Sul, formado pela Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai).

    A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados adiou terça-feira outra vez uma primeira votação da entrada da Venezuela no bloco regional, que tem de ser aprovado em sessão plenária do Congresso para poder entrar em vigor.

    Os Parlamentos da Argentina e do Uruguai já votaram a favor do país das Caraíbas, enquanto no Brasil a oposição quer travar o passo à Venezuela, com o argumento de que o governo desse país não é plenamente democrático porque não tolera a dissidência.

    Na Venezuela, lembrou Lula, "o que não falta é discussão".

    "A democracia é assim. Submetemos ao povo aquilo em que acreditamos e o povo decide e acatamos o resultado", disse, insistindo na obrigatoriedade de respeitar a soberania dos países.
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