Livro diz que portugueses são contra, mas pactuam com a corrupção


 

Lusa / AO online   Nacional   21 de Dez de 2008, 21:30

Os portugueses são, na generalidade, contra a corrupção, mas no dia-a-dia "acabam por pactuar" com "cunhas" e situações de conflito de interesses, concluem os autores de um livro lançado hoje no Porto.
    "No nível simbólico, abstracto, toda a gente condena a corrupção, tal como no resto da Europa, mas no nível estratégico, no quotidiano, as pessoas acabam por pactuar com a corrupção, até nos casos mais graves, de suborno", disse à agência Lusa o politólogo Luís de Sousa.

    O co-autor, com João Triães, do livro "Corrupção e os portugueses: Atitudes, práticas e valores" deu como exemplo o primeiro lugar registado por Portugal no indicador de um estudo relativo aos contactos que as pessoas assumem ter "para conseguir benefícios ou serviços a que não têm direito".

    O livro foi apresentado por Paulo Morais, ex-vereador da Câmara do Porto, que afirmou que a obra confirma que "os portugueses são algo permissivos" relativamente à corrupção, o que considera ser uma herança da "lógica corporativa do tempo de Salazar".

    "A estrutura de poder actual é, basicamente, a estrutura de poder do doutor Oliveira Salazar. É uma estrutura que se mantém e nos asfixia", disse à Lusa Paulo Morais, realçando que, enquanto perdurar esta lógica, "os grandes interesses ficam na mão do grande capital".

    O livro, com prefácio de Maria José Morgado, está dividido em cinco capítulos, dos quais o primeiro apresenta uma sinopse dos principais resultados do projecto "Corrupção e Ética em Democracia: o Caso de Portugal", que visou "caracterizar o ambiente ético em que opera a democracia portuguesa".

    Nos restantes capítulos, são aplicadas perspectivas sociológicas, estruturalistas e comparativas para analisar o fenómeno da corrupção em Portugal, sendo explorada também a dualidade público/privado nos julgamentos sociais sobre a corrupção.

    O livro, publicado pela RCP Edições, conta ainda com a participação de António Pedro Dores, Carlos Jalali e José M. Magone.

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