Levar Emmys até ao Corvo foi difícil mas todos dizem que valeu a pena

Levar Emmys até ao Corvo foi difícil mas todos dizem que valeu a pena

 

Lusa/AO Online   Regional   1 de Jul de 2019, 08:53

A semifinal dos International Emmy Awards levou onze personalidades da televisão portuguesa até à ilha do Corvo, com um esforço que valeu a pena, garantem os membros do júri, a organização e a população.

Foi uma logística difícil, já tinham adiantado à agência Lusa tanto o presidente da Câmara de Vila do Corvo, José Manuel Silva, como o embaixador da Academia Internacional de Televisão, André Sampaio, mas o esforço de trazer a semifinal em que foram votados os nomeados para a categoria de melhor ator nos prémios televisivos foi recompensado.

Durante todo o dia de sábado reuniu-se no Salão Nobre do único município da mais pequena ilha dos Açores o júri do evento, formado por António Pedro Cerdeira, Fernanda Serrano, Helena Forjaz, Jorge Corrula, Kelly Bailey, Lourenço Ortigão, Luís Esparteiro, Marco Delgado, Oceana Basílio, Paulo Pires e Vanda Correia.

Do trabalho que ali aconteceu nada será revelado por agora, nem aos próprios jurados, que apenas saberão quem são os nomeados para melhor ator em produções televisivas internacionais, em meados de setembro, altura em que a Academia Internacional de Televisão anunciará os escolhidos para todas as categorias do galardão.

No Corvo, a presença de uma comitiva de cerca de 30 pessoas, entre as quais 11 caras conhecidas da televisão portuguesa, numa ilha que soma pouco mais de 400 habitantes, causa impacto, tanto para os que lá aterraram, como para quem os recebe.

O ator Paulo Pires considerou que esta foi uma experiência importante para perceber que o Corvo, “afinal de contas, não é assim tão longe” e que “fazer um evento destes num sítio destes é provar que não há lugares mais ou menos importantes”.

“Todos os lugares são importantes para quem faz televisão”, rematou.

Para Fernanda Serrano, que gosta de “sítios assim, com poucos habitantes, que são uma comunidade”, porque lhes adivinha “um lado utópico”, a resposta chega em forma de pergunta, mas é esclarecedora: “Porquê fazer sempre em grandes cidades, mais do mesmo?”

Se a ilha e as pessoas que nela habitam a deixaram rendida, o propósito que trouxe a atriz até aqui também não desiludiu e garantiu estar satisfeita, “especialmente porque” conseguiu perceber que os atores portugueses não estão “tão distantes assim da realidade de outros países”.

O sentimento de agrado é partilhado por Nathaniel Brendel, diretor do Júri dos Emmys, que também se mostrou “muito satisfeito, como já sabia que ficaria”, adiantou, explicando que “o objetivo da academia é garantir que os programas são avaliados pelas melhores pessoas da indústria” e é por isso que viajam pelo mundo, afirmou.

“Quando o André Sampaio me disse que conseguia trazer os melhores talentos de Portugal até uma ilha, claro que disse que sim”.

Todo o isolamento e o secretismo que envolvem a votação foram depois compensados pelo contacto com a população, durante o jantar e a celebração das Festas de São Pedro, na qual atuaram Luís Alberto Bettencourt e Pilar Silvestre, que trouxeram música tradicional açoriana, e o músico terceirense, Flávio Cristovam.

De todos os jurados que foram sendo abordados pela população ao longo da noite, foi Kelly Bailey quem despertou maior interesse, principalmente junto dos mais novos, que formaram uma pequena multidão ao seu redor.

Maria, de 6 anos, avançou que a atriz foi “muito fixe” e que conversaram acerca “do que acontecia na Herdeira e do que aconteceu aqui”.

Enquanto a Áurea, de 7 anos, só lhe interessavam as amigas e, dos famosos que por ali andavam, não queria falar com ninguém, Jéssica “queria ver todos” – um conflito que resolveu tirando uma ‘selfie’.

Mas também os graúdos se entusiasmavam com a presença dos forasteiros. Duarte Raposo, da Terceira, fez anos há três semanas, mas escolheu este sábado, que coincidia com as festas de São Pedro, para comemorar o 24.º aniversário. A celebração coincidiu, também, com o evento que trouxe 11 nomes da televisão portuguesa à ilha.

“Guardei para este dia especial, que vinha este pessoal todo para aqui. Eles não vieram para o meu aniversário, mas olha, estavam aqui atrás e aproveitou-se”, disse em tom de brincadeira.

Falando a sério, considerou que, “para uma ilha tão pequenina, é muito bom ter estes atores aqui”.

Foi Andreia Raposo quem trouxe Duarte até ao Corvo. A irmã do ‘aniversariante’ mora na ilha preta “faz um ano para o mês que vem” e não esperava ver um evento com uma dimensão internacional: “Foi uma surpresa”, e das boas, que lhe trouxe “uma experiência incrível”.

Para a terceirense que adotou a realidade corvina, “deviam fazer mais iniciativas destas para reconhecimento dos Açores e especialmente por ter sido no Corvo, uma ilha tão pequena”.


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