Lavradores da ilha Terceira pedem preços justos ou melhoria de apoios comunitários

Lavradores da ilha Terceira pedem preços justos ou melhoria de apoios comunitários

 

AO Online/ Lusa   Regional   1 de Jun de 2019, 11:28

O presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT) reivindicou esta sexta feira o pagamento de preços “justos” pela produção de leite ou, em contrapartida, uma melhoria dos apoios comunitários, alegando que a lavoura vive dias difíceis.

“A ilha Terceira tem o pior preço da Europa, com exceção de algumas ilhas da coesão. Isto é a nossa triste realidade, é com ela que convivemos. Temos de ter um papel fundamental e de ser organizados nas nossas explorações para conseguirmos resistir com estes preços”, adiantou o presidente da AAIT, José António Azevedo, na cerimónia de abertura da feira agrícola Agroter, em Angra do Heroísmo.

O preço médio do litro de leite pago aos produtores nos Açores é de 28 cêntimos, mas na ilha Terceira, onde existe apenas uma fábrica, o preço médio atinge os 26 cêntimos.

Segundo José António Azevedo, mais do que o preço do leite são os limites à produção que preocupam os lavradores da ilha Terceira.

“A lavoura está preocupada com os limites de produção e com a ameaça das penalizações, que poderão chegar aos 15 cêntimos por litro de leite excedido”, frisou.

O presidente da associação agrícola criticou ainda os rateios aos apoios comunitários atribuídos à lavoura, alegando que alguns produtores enfrentavam “uma situação financeira difícil” e que “alguns jovens” abandonaram mesmo as explorações.

“Os produtores ambicionam um preço justo pela sua produção e uma menor dependência dos apoios. Se fossemos pagos pelo preço real, cada vez seríamos menos dependentes dos apoios e autossuficientes pelo nosso modo de produção”, salientou.

Em alternativa ao aumento do preço do leite, José António Azevedo reivindicou um aumento do POSEI (Programa de Opções Específicas para o Afastamento e a Insularidade nas Regiões Ultraperiféricas), que acompanhe o aumento da produção.

“No POSEI pós-2020 terão de se fazer alguns ajustes indo ao encontro da realidade que a indústria nos impõe”, salientou, pedindo uma concertação de posições entre associações de agricultores e Governo Regional.

Em resposta, o secretário regional da Agricultura e Florestas, João Ponte disse que a situação que o setor leiteiro atravessa “não é responsabilidade de apenas uma das partes”.

“Para o Governo dos Açores, mais importante do que gastar energias a encontrar os eventuais responsáveis, é essencial que o setor esteja unido e mobilizado para ultrapassar mais este desafio”, frisou.

O governante disse que o executivo açoriano “tem perfeita consciência de que nem tudo está feito”, mas deixou um “mensagem de esperança e confiança no futuro” aos agricultores que marcaram presença na abertura da feira agrícola.

João Ponte assegurou que o Governo Regional estava disponível para “rever e corrigir as medidas e as estratégias adotadas”, dando como exemplo a alteração do regime jurídico relativo à cessação da atividade agrícola, que prevê uma redução da idade mínima de 60 para 58 anos e uma melhoria do valor do apoio financeiro.

Quanto ao POSEI pós-2020, disse que o executivo está a trabalhar no sentido de que sejam aplicados novos critérios na atribuição de ajudas, para que os lavradores não sejam penalizados pelas reduções de produção e para que seja possível em determinadas condições fazer uma reconversão de explorações de leite para carne.

Por outro lado, defendeu uma maior aposta na inovação, no conhecimento e na procura de novos mercados e de novos produtos.

“Devemos saber aproveitar as oportunidades do mercado. Nunca se falou tanto dos Açores e os consumidores querem cada vez mais produtos genuínos, locais, diferenciados e de qualidade. Isso é o que melhor sabemos fazer”, salientou.

“É imperativo saber valorizar as nossas produções e remunerar de forma justa os produtores, para não corrermos o risco de termos indústria e não termos produtores”, acrescentou.



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