O presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro afastou qualquer cenário de instabilidade política na região, garantindo que existem condições para a legislatura chegar ao fim em 2028.
Em entrevista à RTP Açores, na segunda-feira, no âmbito das comemorações do Dia dos Açores, o líder regional destacou a importância da estabilidade institucional, do diálogo e da responsabilidade política.
A entrevista surge após declarações do vice-presidente do Governo Regional, Artur Lima, que criticou o centralismo em Ponta Delgada. José Manuel Bolieiro afirmou que não há risco para a estabilidade do Governo dos Açores, considerando “verdadeiramente insano” alimentar cenários de instabilidade num contexto internacional “de guerra, crise económica e instabilidade de preços”.
Bolieiro defendeu ainda a unidade entre ilhas e rejeitou fragilidades na coligação, garantindo que os partidos mantêm o compromisso com o programa de Governo e com a estabilidade política.
Perante as recentes declarações, o Açoriano Oriental
entrou em contacto com todos os partidos políticos com assento
parlamentar na Região.
PSD diz que Bolieiro garante estabilidade da coligação
O PSD/A garante que José Manuel Bolieiro continua comprometido com a estabilidade governativa e com o cumprimento do mandato. O líder parlamentar João Bruto da Costa afirma que o presidente do Governo “tem sido o garante da estabilidade e não o promotor da instabilidade” e desvaloriza as divergências internas, classificando-as como “o exercício normal das diferenças” entre os partidos da coligação.
O
social-democrata insiste que nenhum dos parceiros perdeu identidade
política e assegura que a coligação permanece “coesa” e empenhada em
cumprir a legislatura até ao fim.
PS acusa coligação de serem fator de instabilidade
O líder parlamentar do PS/A Berto Messias, afirma que os mandatos devem ser cumpridos até ao fim, mas acusa diretamente o presidente do Governo e a coligação de serem “o único fator de instabilidade”.
O socialista
aponta episódios internos sucessivos dentro da maioria, incluindo
declarações recentes do vice-presidente do executivo, Artur Lima. Para o
PS, o Governo devia concentrar-se na governação e abandonar “as lutas
internas da coligação”.
Chega critica Bolieiro e Artur Lima e pede moção de confiança
Do lado do Chega, José Pacheco critica tanto José Manuel Bolieiro como Artur Lima. O líder parlamentar considera “lamentáveis” as declarações públicas dos dois responsáveis e acusa o CDS de deslealdade política e de promover “bairrismos” dentro da Região.
José Pacheco defende que o
presidente do Governo devia apresentar uma moção de confiança e afastar
Artur Lima do executivo regional. O dirigente do Chega acusa ainda o
CDS de incoerência política, afirmando que o partido “está a tentar
sobreviver politicamente” e afirma que “a roupa suja lava-se em casa”.
CDS-PP garante união e rejeita cenário de crise política
O líder parlamentar do CDS-PP, Pedro Pinto, considera que as declarações de José Manuel Bolieiro refletem uma realidade que acompanha a coligação desde 2020, acusando a oposição de tentar criar instabilidade política sempre que surgem diferenças de opinião entre os parceiros do Governo.
O
centrista afirma que PSD, CDS-PP e PPM mantêm uma relação de respeito
mútuo e defende que “diferente não significa divergente”, sublinhando
que a pluralidade da coligação tem permitido maior equilíbrio
governativo. Pedro Pinto destaca ainda resultados económicos e sociais
alcançados desde 2020, garantindo que “não há qualquer problema” entre
os parceiros da coligação .
Bloco diz que Governo está afastado das preocupações dos açorianos
Já o Bloco de Esquerda considera que a atual situação demonstra “mais um episódio do fim da coligação”. António Lima acusa o executivo de estar mais preocupado com cenários eleitorais do que com os problemas concretos dos açorianos, como o aumento do custo de vida, a saúde, os transportes e as finanças regionais.
O bloquista entende que existe
falta de lealdade política dentro da coligação por parte do CDS, que já
demonstrou disponibilidade para entendimentos com o PS.
IL sugere moção de confiança para clarificar posições
Pela Iniciativa Liberal, Pedro Ferreira reconhece que Bolieiro procura estabilidade, mas acusa os partidos da governação de serem os principais responsáveis pela instabilidade atual. O liberal estranha as divergências públicas dentro do executivo, sublinhando que “há um vice-presidente do Governo com uma opinião diferente do programa governativo”.
Para a IL, a solução poderá passar por uma moção de
confiança apresentada pelo executivo regional para clarificar posições
políticas. Pedro Ferreira alertou ainda que a estratégia do CDS pode
acabar por favorecer futuras maiorias absolutas do PS ou PSD, defendendo
que os açorianos preferem governos em minoria, com maior escrutínio e
pluralidade política.
PAN defende estabilidade
O PAN considera que os açorianos estão “cansados de eleições”, defendendo estabilidade política e criticando o CDS-PP por estar a “brincar na areia” com provocações políticas.
O líder regional Pedro Neves afirmou que “os açorianos não merecem voltar a eleições por causa de um partido com dois deputados”, considerando ainda que o CDS “perde credibilidade” com esta postura. O líder regional do PAN entende que o partido tem mantido coerência política e defende que “não é por causa de um único partido que o Governo deve cair”.
Até ao fim do fecho da edição do jornal, não foi possível ter a resposta do PPM/A.
