José Manuel Bolieiro garante que não há eleições antecipadas
Hoje 09:25
— Filipe Torres
O presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro
afastou qualquer cenário de instabilidade política na
região, garantindo que existem condições para a legislatura chegar ao
fim em 2028. Em entrevista à RTP Açores, na segunda-feira, no âmbito das comemorações
do Dia dos Açores, o líder regional destacou a importância da
estabilidade institucional, do diálogo e da responsabilidade política.A
entrevista surge após declarações do vice-presidente do Governo
Regional, Artur Lima, que criticou o centralismo em Ponta Delgada. José
Manuel Bolieiro afirmou que não há risco para a estabilidade do Governo
dos Açores, considerando “verdadeiramente insano” alimentar cenários de
instabilidade num contexto internacional “de guerra, crise económica e
instabilidade de preços”.Bolieiro defendeu ainda a unidade entre
ilhas e rejeitou fragilidades na coligação, garantindo que os partidos
mantêm o compromisso com o programa de Governo e com a estabilidade
política.Perante as recentes declarações, o Açoriano Oriental
entrou em contacto com todos os partidos políticos com assento
parlamentar na Região.PSD diz que Bolieiro garante estabilidade da coligação O
PSD/A garante que José Manuel Bolieiro continua comprometido com a
estabilidade governativa e com o cumprimento do mandato. O líder
parlamentar João Bruto da Costa afirma que o presidente do Governo “tem
sido o garante da estabilidade e não o promotor da instabilidade” e
desvaloriza as divergências internas, classificando-as como “o exercício
normal das diferenças” entre os partidos da coligação. O
social-democrata insiste que nenhum dos parceiros perdeu identidade
política e assegura que a coligação permanece “coesa” e empenhada em
cumprir a legislatura até ao fim.PS acusa coligação de serem fator de instabilidadeO
líder parlamentar do PS/A Berto Messias, afirma que os mandatos devem
ser cumpridos até ao fim, mas acusa diretamente o presidente do Governo e
a coligação de serem “o único fator de instabilidade”. O socialista
aponta episódios internos sucessivos dentro da maioria, incluindo
declarações recentes do vice-presidente do executivo, Artur Lima. Para o
PS, o Governo devia concentrar-se na governação e abandonar “as lutas
internas da coligação”.Chega critica Bolieiro e Artur Lima e pede moção de confiançaDo
lado do Chega, José Pacheco critica tanto José Manuel Bolieiro como
Artur Lima. O líder parlamentar considera “lamentáveis” as declarações
públicas dos dois responsáveis e acusa o CDS de deslealdade política e
de promover “bairrismos” dentro da Região. José Pacheco defende que o
presidente do Governo devia apresentar uma moção de confiança e afastar
Artur Lima do executivo regional. O dirigente do Chega acusa ainda o
CDS de incoerência política, afirmando que o partido “está a tentar
sobreviver politicamente” e afirma que “a roupa suja lava-se em casa”.CDS-PP garante união e rejeita cenário de crise política O
líder parlamentar do CDS-PP, Pedro Pinto, considera que as declarações
de José Manuel Bolieiro refletem uma realidade que acompanha a coligação
desde 2020, acusando a oposição de tentar criar instabilidade política
sempre que surgem diferenças de opinião entre os parceiros do Governo. O
centrista afirma que PSD, CDS-PP e PPM mantêm uma relação de respeito
mútuo e defende que “diferente não significa divergente”, sublinhando
que a pluralidade da coligação tem permitido maior equilíbrio
governativo. Pedro Pinto destaca ainda resultados económicos e sociais
alcançados desde 2020, garantindo que “não há qualquer problema” entre
os parceiros da coligação .Bloco diz que Governo está afastado das preocupações dos açorianos Já
o Bloco de Esquerda considera que a atual situação demonstra “mais um
episódio do fim da coligação”. António Lima acusa o executivo de estar
mais preocupado com cenários eleitorais do que com os problemas
concretos dos açorianos, como o aumento do custo de vida, a saúde, os
transportes e as finanças regionais. O bloquista entende que existe
falta de lealdade política dentro da coligação por parte do CDS, que já
demonstrou disponibilidade para entendimentos com o PS.IL sugere moção de confiança para clarificar posições Pela
Iniciativa Liberal, Pedro Ferreira reconhece que Bolieiro procura
estabilidade, mas acusa os partidos da governação de serem os principais
responsáveis pela instabilidade atual. O liberal estranha as
divergências públicas dentro do executivo, sublinhando que “há um
vice-presidente do Governo com uma opinião diferente do programa
governativo”.Para a IL, a solução poderá passar por uma moção de
confiança apresentada pelo executivo regional para clarificar posições
políticas. Pedro Ferreira alertou ainda que a estratégia do CDS pode
acabar por favorecer futuras maiorias absolutas do PS ou PSD, defendendo
que os açorianos preferem governos em minoria, com maior escrutínio e
pluralidade política.PAN defende estabilidadeO PAN considera
que os açorianos estão “cansados de eleições”, defendendo estabilidade
política e criticando o CDS-PP por estar a “brincar na areia” com
provocações políticas.O líder regional Pedro Neves afirmou que “os
açorianos não merecem voltar a eleições por causa de um partido com dois
deputados”, considerando ainda que o CDS “perde credibilidade” com esta
postura. O líder regional do PAN entende que o partido tem mantido
coerência política e defende que “não é por causa de um único partido
que o Governo deve cair”.Até ao fim do fecho da edição do jornal, não foi possível ter a resposta do PPM/A.