Jornalista Rafael Marques quer ver “alguns dos maiores corruptos angolanos na cadeia”


 

Lusa/Ao online   Internacional   2 de Set de 2018, 06:23

O jornalista Rafael Marques defendeu este sábado ser preciso ver "alguns dos maiores corruptos angolanos na cadeia", esperando que a visita a Angola do primeiro-ministro português, António Costa, inaugure "relações verdadeiramente de Estado" entre os dois países.

O também ativista de direitos humanos angolano participou hoje ao final da tarde no Fórum Socialismo 2018, a rentrée política do BE, e questionado pelos jornalistas sobre o primeiro ano de João Lourenço como Presidente de Angola, considerou que "é um ano positivo porque José Eduardo dos Santos deixou o país de rastos".

"Agora, com a presidência do MPLA, é o ano em que nós devemos começar a ver alguns dos maiores corruptos angolanos na cadeia e todos aqueles que colaboraram a partir do exterior com este sistema de pilhagem em Angola, que também comecem a sentir o peso da justiça, quer em Angola, quer em Portugal e noutras jurisdições internacionais", desafiou.

Para Rafael Marques, só assim será possível acreditar que, de facto, "há uma nova era em Angola, uma era anticorrupção".

"De outro modo, enquanto as cadeias não estiverem a ser preenchidas por essas altas individualidades que pilharam o país, será apenas mais um ano simbólico e aí já não será tão positivo esse gesto simbólico de João Lourenço em discursos contra a corrupção porque agora é preciso ação", insistiu.

Sobre a visita do primeiro-ministro, António Costa, a Angola em setembro, o jornalista começou por destacar que "as relações entre Portugal e Angola sempre foram ditadas pela vontade dos interesses particulares quer dos governantes angolanos quer dos setores dos interesses empresariais portugueses".

"Esperamos que com esta visita de António Costa se possa começar a olhar para a relação entre os dois países como relações verdadeiramente de Estado e que possam ser mutuamente benéficas quer para a população angolana quer para a população portuguesa porque até aqui tem sido apenas benéfica para os interesses da elite corrupta angolana e dos seus parceiros portugueses", disse.

Questionado sobre o ex-Presidente angolano, Rafael Marques respondeu: "na verdade, José Eduardo dos Santos hoje é uma figura ridícula em Angola".

"A ideia de que possa ter poderes secretos, possa ter poderes para além dos seus dias enquanto presidente do MPLA, é apenas um mito que prevalece fora de Angola. Dentro de Angola, todos sabem que o poder de José Eduardo Santos chegou definitivamente ao fim e o poder da sua família também", sustentou.

Importante agora, na opinião do ativista angolano, é que "este poder não seja transferido para um só homem", alertando que "o momento em que o Presidente João Lourenço se torna também presidente do MPLA terá precisamente a tentação do poder absoluto".

"É importante que este poder, que durante muitos anos levou à destruição do futuro dos angolanos, seja repartido de acordo com os valores da democracia", apelou.

De acordo com Rafael Marques, é preciso "passar por reformas constitucionais e outras que garantam uma democracia participativa".

"De outro modo vamos depender da vontade de João Lourenço e não se constrói um país com a vontade de um só homem", avisou.




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