Joe Berardo assume que reduzir pensões de antigos administradores do BCP é "missão"


 

Lusa / AO online   Economia   25 de Abr de 2010, 22:29

O presidente do conselho de remunerações do Banco Comercial Português (BCP), Joe Berardo, assume mesmo como uma “missão” conseguir a redução das pensões de seis antigos administradores do banco.

Em declarações à agência Lusa Joe Berardo não precisou os montantes envolvidos mas estimou que, em conjunto, os seis ex administradores auferem um montante que é 20 por cento da totalidade dos 20 mil pensionistas da instituição.

“Sei que vou ser crucificado, que aquelas pessoas são muito poderosas. Mas quando acabar esta missão (…) já cumpri a minha missão de abusos, o sistema financeiro nunca mais vai ser abusado como foi abusado no passado”, garantiu.

Por outro lado, referiu, “ainda hoje ninguém sabe qual é a remuneração apropriada” no BCP, situação que acontece, justificou, devido a recursos à via judicial para “bloquear” as decisões.

Berardo sustenta ainda que os problemas que afetam o sistema financeiro nos dias de hoje derivam, das leis “feitas no Parlamento sobre o joelho”.

“Mesmo que um juiz queira fazer alguma coisa não pode”, lamentou.

A esse propósito aludiu a uma notícia, publicada sábado no semanário Expresso, que dá conta que o ex-banqueiro João Rendeiro ganhou 3 milhões de euros do Banco Privado Português (BPP), em 2008, ano em que a instituição financeira entrou em colapso e pediu a intervenção do Banco de Portugal para evitar a falência.

“Um administrador de um banco que estava [em] bancarrota estava a ser remunerado em três milhões de euros por ano. E anda toda a gente aqui a rir”, acusou, responsabilizando, outra vez, “as leis do Parlamento”.

“Não é o nosso sistema judicial, o nosso sistema judicial tem as leis para cumprir”, sublinhou.

Para Joe Berardo, a situação atual tem de ser analisada, para evitar que volte a repetir-se.

“Tudo isto tem de ser analisado e pensado, [para sabermos] como é que vamos contribuir para que essa ladroagem acabe de uma vez”, sustentou.


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