Imprensa Nacional-Casa da Moeda apresenta série monetária dedicada a José Saramago
20 de mai. de 2013, 17:49
— Lusa / AO online
“A viagem do elefante”, do Trigo Limpo, Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT), é um projeto de teatro de rua, inspirado na obra do escritor, que vai ser apresentado na Fundação José Saramago, na terça-feira, antes de a produção seguir o caminho descrito na obra, a partir do mês de junho, quando passam três anos sobre a morte do escritor.
A emissão especial da Imprensa Nacional - Casa da Moeda (INCM), dedicada ao autor de “Memorial do Convento”, é uma moeda no valor de 2,5 euros, em ouro e prata, que se integra na coleção “Escritores Europeus”, da série "Europa", na qual participam dez países convidados e respetivos escritores, entre os quais o espanhol Miguel de Cervantes.
Desta série fazem também parte o austríaco Stefan Zweig, o irlandês James Joyce, o francês Gustave Flaubert e o belga Hugo Claus.
A moeda do Nobel português é de autoria do escultor Vítor Santos e, segundo nota da INCM, “apresenta uma imagem estilizada do rosto de José Saramago, bem como uma alusão à distinção feita em 1998 pela Academia Sueca ao escritor português”.
A edição da moeda compreende uma emissão de 2.500 exemplares em ouro e de 7.500 exemplares em prata, com acabamento “proof" - tratamento de brilho, segundo fonte da INCM.
A mesma fonte afirmou que as moedas da série "Europa" são emissões oficiais em euros que, “embora com uma temática anual comum, cada uma delas é específica do Estado que a emite, e apenas aí tem curso legal”.
A apresentação da moeda está marcada para quarta-feira, às 18:00, na Casa dos Bicos, em Lisboa, sede da Fundação José Saramago (FJS), com a presença de António Osório, presidente do Conselho de Administração da INCM, e de Pilar del Río, presidente da Fundação.
Também na Casa do Bicos, mas um dia antes, terça-feira, às 12:00, é apresentado o projeto “A viagem do elefante”, baseado na obra homónima de Saramago, publicada em 2008.
“A viagem do elefante” é um projeto de teatro de rua do ACERT-Trigo Limpo, em coprodução musical com Flor de Jara de Espanha, em parceria com a Fundação José Saramago.
O livro de Saramago é sobre a ida de um elefante indiano, de Portugal até à corte dos Habsburgo, em Viena. O animal, ao qual o autor chamou “Salomão”, foi mandado pelo rei D. João III para a capital do então Sacro Império Romano da Nação Germânica, como presente de casamento ao arquiduque Maximiliano, seu primo.
A viagem durou de 1550 a 1552 e a obra, apesar das mais de 250 páginas que ocupa, era considerada “um conto” pelo próprio autor, como declarou à Lusa, em 2008, em vésperas da publicação.
Saramago disse então que teve de “fabricar a história”, pois os dados históricos rareavam.
"Os dados históricos eram pouquíssimos e o que há tem que ver principalmente com o que se passou depois da chegada do elefante à Áustria. Daqui de Lisboa até lá, não se sabe o que aconteceu. Sabe-se, ou parte-se do princípio de que foi de Lisboa até Valladolid - onde o arquiduque era, desde há dois ou três anos, regente, em nome do Imperador Carlos V (de quem era genro) -, que embarcou no porto da Catalunha para Génova e que tudo o que não foi esta pequena viagem de barco foi, como costumamos dizer, à pata", resumiu o escritor.
Este ano e no próximo, o “espetáculo percorrerá a rota ‘O Caminho de Salomão’, com um engenho cénico de grandes dimensões”, afirma em comunicado a FJS.
“O Caminho de Salomão” segue, na rota portuguesa, o espaço físico descrito pelo livro, de Constância, onde se acredita ter vivido Camões, passando por Belém, até à fronteira com Espanha, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.
A primeira apresentação pública do projeto será no dia 29 de junho, exatamente em Figueira de Castelo Rodrigo, seguindo-se os concelhos de Sabugal, Pinhel, Fundão e também Castelo Branco, São João da Pesqueira, Tondela, entre outros.
O elefante Salomão será também apresentado em Ciudad Rodrigo, em Espanha, e noutras cidades europeias, por onde se presume a passagem do elefante.
Nos dias 14 e 15 de setembro, o elefante Salomão “mostra-se” em Lisboa.