Hospital da ilha Terceira volta a ter sistema de telemetria ao fim de dois anos e meio

Hospital da ilha Terceira volta a ter sistema de telemetria ao fim de dois anos e meio

 

Lusa/ AO online   Regional   23 de Mai de 2018, 16:02

O Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, nos Açores, inaugurou esta quarta-feira um novo sistema de telemetria, depois de ter estado cerca de dois anos e meio sem este equipamento.

“Era um equipamento que já estava a ser trabalhado com o hospital e com o serviço respetivo desde 2017. No início deste ano, a portaria saiu com a definição do apoio, após o próprio serviço ter determinado qual era o aparelho que era essencial”, adiantou, em declarações aos jornalistas, o secretário regional da Saúde, Rui Luís, na inauguração do novo sistema de telemetria.

Questionado sobre o atraso na aquisição do equipamento, o governante disse que o executivo disponibilizou uma verba de 60 mil euros no final de janeiro, mas o equipamento teve de vir dos Estados Unidos da América.

“Da nossa parte, desde o início do ano que tínhamos os procedimentos prontos, foi uma questão entre o fornecedor e o hospital”, adiantou.

Segundo Rui Luís, o novo aparelho permite monitorizar seis doentes em simultâneo e tem um sistema wi-fi.

“O doente pode-se deslocar no serviço e continuar a ser monitorizado, o que será fundamental para a vigilância que se impõe a este tipo de doentes”, apontou.

Por sua vez, o diretor do serviço de cardiologia do Hospital da Ilha Terceira, Virgílio Schneider, considerou que o sistema é um “passo fundamental” para trabalhar em cardiologia.

“Permite que o médico saiba nas 24 horas o que se passa. Se o doente não estiver monitorizado, nós não sabemos se existiu uma arritmia que pode pôr em causa a vida do doente, por exemplo, durante a noite, enquanto está a almoçar, eventualmente até na casa de banho. De outra maneira, podemos ser confrontados com situações em que o doente está descompensado e quando chegamos isso já passou”, salientou.

Ainda assim, o cardiologista defendeu que este sistema é apenas um “primeiro passo” e que é necessário avançar com abertura da “unidade de cuidados intensivos cardíacos coronários e da sala de intervenção para implantação de pacemakers”.

“Temos espaço, temos um hospital fantástico e com um espaço físico fabuloso e é preciso equipá-lo para bem dos nossos doentes”, apontou, frisando que os Açores têm “a mortalidade mais elevada por doença isquémica do coração” do país.

Segundo Rui Luís, a região tem procurado criar ‘know-how’ e reforçar os recursos humanos para que, no futuro, possam ser feitas nos Açores cirurgias que atualmente só estão disponíveis no continente, mas é preciso também trabalhar para mudar os hábitos de vida dos açorianos para contrariar os números desta patologia.

Quanto à unidade de cuidados intensivos, defendida por Virgílio Schneider, o secretário regional da Saúde disse que estão a ser “dados passos” para que ela possa existir no futuro, mas “complementar com outras especialidades, por exemplo, a neurologia e a parte vascular”.

Na discussão do Plano e Orçamento da Região para 2018, o PS, em maioria no Parlamento açoriano, fez chumbar uma proposta do CDS-PP que previa a aquisição de um equipamento de telemetria para o Hospital da Ilha Terceira, no valor de 50 mil euros.

A mesma proposta já tinha sido chumbada em março, aquando da discussão do Plano e Orçamento da Região para 2017.

Na altura, o secretário regional da Saúde disse que a aquisição do sistema de telemetria já fazia parte de uma ação do plano de investimentos da região destinada à aquisição de equipamentos para várias unidades de saúde.



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