Acidentes

Helicóptero terá demorado 135 minutos para resgatar sobreviventes do naufrágio do "Rosamar"


 

Lusa/AO online   Internacional   8 de Dez de 2008, 13:26

Os sobreviventes do naufrágio do barco de pesca "Rosamar" na costa da Galiza, na sexta-feira, só foram resgatados, por helicóptero 135 minutos depois de activado o alerta marítimo, refere hoje o jornal "La Voz de Galicia".

Segundo o jornal, o problema é que o helicóptero que habitualmente tem base no porto de Celeiro, em Lugo, bem mais próximo do local do naufrágio, tinha poucos dias antes sido temporariamente deslocado para a Corunha. Foi substituir o helicóptero que normalmente opera na Corunha, que na altura estava a ser submetido a uma revisão programada.
Uma viagem de Lugo para o local do naufrágio demora 10 minutos, menos meia hora do que desde a Corunha.
Mas tanto num caso como no outro há ainda que ter em conta o tempo necessário para a tripulação abandonar o hotel onde pernoita e preparar o aparelho para o voo, uma vez que aquele helicóptero tem uma única tripulação.
O helicóptero da Corunha tem dupla tripulação, o que permite ter sempre uma equipa de emergência no hangar para acudir de imediato a um qualquer pedido de socorro.
Segundo aquele jornal galego, se o helicóptero estivesse em Lugo, os sobreviventes do naufrágio poderiam ter sido resgatados no prazo de uma hora após o alerta.
Mais rápido ainda (40 minutos) teria sido o socorro se o helicóptero que habitualmente opera desde a Corunha estivesse operacional.
Assim, com todas estas infelizes coincidências, o socorro acabou por demorar 135 minutos.
O "La Voz de Galicia" contactou o Ministério do Fomento, que se escusou a tecer quaisquer comentários, bem como a Conselheria de Pesca, que apenas disse que o helicóptero saiu quando foi mobilizado, "cumprindo os tempos de resposta estabelecidos".
O "Rosamar" naufragou sexta-feira a 24 milhas a norte de Burela, na costa da Galiza, com oito portugueses e cinco indonésios a bordo.
Três portugueses morreram e quatro foram resgatados com vida, assim como um indonésio. Desaparecidos permanecem cinco pescadores, dos quais um português e quatro indonésios.
O naufrágio terá sido provocado por um cabo da embarcação que se prendeu no fundo do mar e que funcionou como âncora.
Nesse momento, o barco foi varrido por ondas de seis metros, entrando água pela popa, o que fez o pesqueiro virar e afundar-se "em um minuto", segundo informaram fontes da investigação.
As buscas para tentar localizar cinco desaparecidos ainda não tiveram qualquer sucesso, mas continuam a decorrer numa zona entre a Galiza e as Astúrias.
Até agora, foram encontrados apenas coletes salva-vidas, botes, redes e outros objectos, todos pertencentes ao "Rosamar".
As autoridades adiantam, no entanto, que já não acreditam que os pescadores possam ser encontrados com vida, uma vez que naquele local as águas apenas atingem os 12 graus.
"É impossível sobreviver três dias na água a esta temperatura", acrescentou.
O pescador português desaparecido é de Matosinhos.
As autoridades admitem que os corpos possam ter sido arrastados pelas marés ou, então, que permaneçam agarrados ao barco, que se encontrará a uma profundidade superior a mil metros, "onde é humanamente impossível chegar". 
Os quatro portugueses sobreviventes do naufrágio são Sérgio Silva e Augusto Jesus, de Matosinhos, Adriano Almeida, de Gala, Figueira da Foz, e Luís Almeida, da Murtosa. 
As vítimas mortais são José Graça e Silva, de Caxinas, Vila do Conde, José Manuel Tomé, da Gala, Figueira da Foz, e o mestre da embarcação, Mário Nazareno, de Matosinhos. om 34 metros de comprimento, o "Rosamar" tinha 30 anos, estava registado em Leixões e tinha sido vendido há um ano a um armador espanhol, passando a operar habitualmente a partir de Burela, em Lugo, na Galiza.

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