Harmonia Mosteirense une-se com o 'clã' Bettencourt para pôr o rock na filarmonia

Harmonia Mosteirense une-se com o 'clã' Bettencourt para pôr o rock na filarmonia

 

Miguel Bettencourt Mota   Cultura e Social   27 de Jan de 2018, 16:53

Quando Paul McCartney compôs Live and Let Die para ser a canção-tema de um filme do James Bond, em 1973, estava seguramente longe de pensar que ela seria tocada por uma filarmónica de uma ilha do meio do atlântico, no século XXI. Mas é assim mesmo que acontece e tudo graças a um ambicioso projeto da Banda Harmonia Mosteirense que tem também à cabeça Luís Gil, Nuno e Maria Bettencourt.

Do 'clã', unido por laços de sangue e pelo rock, apenas Nuno Bettencourt falhou ao ensaio desta sexta-feira que decorreu na sede daquela banda filarmónica dos Mosteiros. No entanto, não há motivos de alarme porque estão agendados mais ensaios de forma a que, dentro de poucos meses, a Harmonia Mosteirense possa mostrar a sua irreverência com um concerto rock no Teatro Micaelense, dividindo o palco com a família Bettencourt.

'Em redor de um século e tal de música' é a frase que dá mote e nome ao projeto e no ensaio de ontem à noite, que esteve aberto ao público, já se pôde conhecer alguns dos temas que se ouvirão no espetáculo, ainda sem data marcada.

Sob a 'batuta' de Luís Gil Bettencourt, os trabalhos musicais arrancaram justamente com Live and Let Die de McCartney. É Manuel Moniz - o principal rosto da banda açoriana Rebeldes - quem empresta a voz ao tema e dá igualmente o seu contributo ao piano nas demais músicas do projeto.

Penny Lane, Sgt. Peppers and Lonely Hearts Club Band (The Beatles) e 25 or 6 to 4 (Chicago) foram outros temas ensaiados pela Harmonia Mosteirense, que conta atualmente com cerca de 50 elementos, das mais diversas idades.

Nádia, que toca clarinete, é dos membros mais jovens da banda. No dia, juntou o seu talento ao dos restantes músicos para começar a dar forma a um concerto que promete trazer algo de novo à filarmonia. Ainda faltaram as guitarras e os baixos, mas "não faltou alma", disse-nos Luís Gil Bettencourt, no final do ensaio.

Para o músico - que está a conduzir os ensaios, num esforço articulado com o maestro da banda, Hernâni Gonçalves – a noite foi de "felicidade" ao ver as diferentes gerações aderirem com "garra e vontade" à iniciativa.

Como afirmou, "é bom ver esta gente a tocar tão bem os temas como os seus intérpretes e a música a ser celebrada da melhor maneira possível".

O sentimento é, de resto, comum ao presidente da filarmónica, Manuel Fernando Almeida, para quem é "uma honra poder contar com convidados da dimensão de Luís Gil Bettencourt (também mentor da ideia), com a filha, Maria Bettencourt, e com o irmão, Nuno Bettencourt".

No que toca ao maestro, o facto de o projeto assentar num universo rock tem sido desafiador, mas nem por isso desmotivante.

"Estou a aprender bastante nesta área que sai um pouco da minha área de conforto – como de qualquer um dos músicos da banda -, mas está a ser muito produtivo, pelo que estou certo que será um belo espetáculo", asseverou Hernâni Gonçalves.

A mesma convicção tem Maria Bettencourt que confessou estar a tirar "um gozo enorme" da participação neste 'Em redor de um século e tal de música'.

"Esta é mais uma forma de partilhar o palco com gente que gosta daquilo que faz e de aprender. Uma pessoa vê na cara destas pessoas que quando estão a tocar estes temas estão motivadas e isso é contagiante", sinalizou a cantora.

Todos os temas ensaiados pela Harmonia Mosteirense, refira-se, estão a ser transcritos para o contexto de banda filarmónica pelo compositor Antero Ávila.



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