GP do Brasil vai ser alvo de vigilância apertada

GP do Brasil vai ser alvo de vigilância apertada

 

Lusa/AO online   Outras modalidades   17 de Out de 2007, 16:21

O Grande Prémio do Brasil de Fórmula 1, que decide o título mundial de pilotos de 2007, vai ser alvo de uma "vigilância especial" por parte do colégio de comissários desportivos da FIA destacados para o circuito de Interlagos, em São Paulo.
A convicção foi expressa hoje à Agência Lusa pelo português Vasconcelos Tavares, um dos três comissários nomeados pela Federação Internacional do Automóvel (FIA) para defender a verdade desportiva numa corrida em que estão em jogo vastos interesses de três pilotos de duas escuderias.
Vasconcelos Tavares recusa aceitar eventuaus manobras de bastidores para que um piloto tenha tratamento preferencial em pista por parte da sua equipa, frisando que "há jogos de equipa que não podem aceitar-se, por causarem o desprestígio da modalidade junto da opinião pública e dos adeptos".
Membro de um colégio que tem como responsabilidade impôr penalizações por infrações cometidas por pilotos ou equipas, Vasconcelos Tavares sublinhou: "Perante algumas situações vividas na Fórmula 1, existe, por força da regulamentação que nos compete fazer cumprir, uma excessiva obrigação de actuar, inclusive no que se passa dentro das escuderias".
"Este é o Grande Prémio de maior responsabilidade em que irei participar, tendo em conta que, há alguns anos, as competências do Colégio de Comissários Desportivos não eram tão vastas como são hoje em dia", disse Vasconcelos Tavares, que em 2001 foi eleito um dos actuais 14 membros titulares do Conselho Mundial do Desporto Automóvel da FIA.
No fim-de-semana está em jogo o título mundial de pilotos de Fórmula 1, com três pilotos em condições de o poderem alcançar: o britânico Lewis Hamilton, líder do campeonato, o espanhol bicampeão do Mundo Fernando Alonso, seu companheiro de equipa na McLaren-Mercedes e segundo classificado, e o finlandês da Ferrari Kimi Raikkonen, terceiro.
Os três pilotos chegam a Interlagos separados por apenas sete pontos na classificação do mundial - Hamilton com 107, Alonso com 103 e Raikkonen com 100 -, numa corrida em que o britânico garantirá o título com uma vitória, mas o triunfo não basta ao espanhol, que nesse caso ainda precisa que o companheiro de equipa não seja segundo.
Se Alonso vencer, o estreante Hamilton tem de defender três pontos do espanhol e seis de Raikkonen, pois perderá o campeonato se terminar em igualdade pontual com qualquer um dos dois, por estes ficarem com mais vitórias ao longo da época.
Deste modo, Hamilton será sempre campeão se ganhar ou for segundo, conquistando igualmente o título sendo quarto e Alonso segundo, sexto e Alonso terceiro e Raikkonen não vencer, sétimo se o Alonso for quarto e Raikkonen não triunfar e oitavo se Alonso for quinto e Raikkonen terceiro.
O britânico será igualmente campeão mesmo sem pontuar desde que Raikkonen não fique nos dois primeiros lugares e Alonso acima do sexto.
O espanhol precisa de vencer e que Hamilton não seja segundo, de terminar em segundo com Hamilton abaixo do quinto lugar, em terceiro com Hamilton abaixo do sexto e sem vitória de Raikkonen, em quarto com Hamilton abaixo do sétimo e Raikkonen abaixo do segundo, ou em quinto com Hamilton fora dos pontos e Raikkonen abaixo do segundo.
O título será entregue ao finlandês caso ganhe, Hamilton fique abaixo do quinto posto e Alonso do segundo, tal como se for segundo com Hamilton abaixo do sétimo lugar e Alonso abaixo do terceiro.
Neste contexto, o comissário português da FIA no próximo Grande Prémio do Brasil reconheceu: "Somos forçados a uma acrescida exposição de crítica pública pelo elevado número de decisões que entram na 'privacidade' dos jogos de equipa realizados pelas marcas".
O comissário português, que presidiu durante nove anos (1997-2006) à Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), referia-se desta forma à avaliação do justo equilíbrio que é necessário encontrar entre o que é matéria do foro táctico de uma equipa de Fórmula 1 e o respeito pela verdade desportiva.
O Colégio de Comissários Desportivos, autoridade máxima a nível desportivo de uma prova de Fórmula 1, é actualmente composto por três elementos, todos obrigatoriamente detentores de uma superlicença FIA.
Um dos três comissários desportivos é indicado pela autoridade desportiva nacional do país organizador, neste caso o Brasil, outro é permanente e indigitado pela FIA (nos últimos anos o britânico Tony Scott Andrews) e um terceiro, em Interlagos Vasconcelos Tavares, é um membro titular do Conselho Mundial da FIA expressamente convidado pelo presidente do organismo, Max Mosley.
Professor catedrático, director da Faculdade de Medicina Dentária e pró-reitor da Universidade de Lisboa, António Vasconcelos Tavares é há longos anos adepto incondicional do desporto automóvel e em 2006 comissariou o Grande Prémio da Hungria de Fórmula 1.
No âmbito sócio-desportivo desempenhou funções durante quase uma década na Direcção e presidência do Auto Clube Médico português e durante 20 anos, na sequência das primeiras eleições havidas no pós-25 de Abril de 1974, nos órgãos sociais e Direcção do Automóvel Clube de Portugal (ACP).
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