Governo sai "politicamente fragilizado" da greve

O secretário-geral da Fenprof defendeu que o ministério da Educação ficou numa situação de "grande fragilização política" depois da greve de professores, mas não exige a demissão do ministro e sim o retomar das negociações.


 

Em conferência de imprensa conjunta num hotel em Lisboa, com a presença de representantes da maioria dos sindicatos que convocaram a paralisação de hoje, o líder da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, afirmou que hoje ficou provado que era possível adiar o exame de Português para todos os alunos, “evitando-se situações de falta de equidade como as que estão criadas”, e que era possível fazê-lo sem recalendarizar os restantes exames.

“O senhor ministro pode afirmar que o grau de dificuldade da prova é o mesmo, seja esta ou seja outra, mas há uma coisa que não é a mesma, que é o contexto em que ela se vai realizar. Ao Ministério da Educação e Ciência (MEC) bastava, se quisesse, não ter sujeitados os estudantes a todo o stress e a toda a angústia que se verificou. […] Fica provado que teria sido possível evitar toda esta confusão que, aliás, deixa todos os responsáveis do MEC em situação de grande fragilização política”, declarou.

O ministro da Educação, Nuno Crato, anunciou que os alunos que hoje não conseguiram realizar os exames de 12.º ano o farão no próximo dia 02 de julho.

O governante garantiu ainda que estão preparados enunciados com idêntico grau de dificuldade aos dos exames hoje realizados.

Apesar de considerar que a tutela sai mais fragilizada da greve de hoje, Mário Nogueira não pediu a demissão do ministro Nuno Crato, exigindo antes o retomar das negociações, tendo “por base” as propostas sindicais.

“O objetivo não é a demissão do ministro. Podia ser, mas não é. Tem que se sentar à mesa das negociações e ir ao encontro das posições dos sindicatos”, disse, ainda que considere que, “do ponto de vista político, houve uma derrota”para o ministério.

Os sindicatos da educação exigem que a mobilidade especial, denominada pelo Governo como requalificação, não seja sequer regulamentada, garantindo assim a sua efetiva não aplicação, que a mobilidade geográfica tenha para os professores o mesmo limite de deslocação de 60 quilómetros que existe para a restante função pública, a manutenção do horário de trabalho nas 35 horas semanais e que as atividades letivas sejam consideradas como tal para todos os docentes, sem excluir os que têm componente letiva incompleta.

Mário Nogueira considerou ainda “fundamental” dar continuidade à greve às avaliações “com o nível de adesão verificado até hoje”, adiantando que cerca de 95% das reuniões de avaliação nas escolas marcadas desde o início da greve não se realizaram.

Numa altura em que os sindicatos pedem o retomar das negociações, o líder da Fenprof referiu que “com o património de luta conquistado, não seria nada positivo que a luta esmorecesse”.

Até quinta-feira os sindicatos vão ouvir os professores de todo o país e decidir se dão continuidade à greve às avaliações na semana entre 24 e 28 de junho.

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