Governo Regional promove formação em programação para atrair empresas

Governo Regional promove formação em programação para atrair empresas

 

Lusa/AO online   Regional   9 de Fev de 2018, 16:15

Duas dezenas de jovens açorianos terminam, esta sexta-feira, uma formação intensiva em programação, na Praia da Vitória, onde, este ano, abrem 100 novas vagas com o objetivo de incentivar empresas a fixarem-se na ilha Terceira.

“Criámos um conjunto de condições estruturais, ao nível dos apoios à fixação das empresas, e condições logísticas no futuro, quer seja na instalação de empresas na antiga escola americana, quer seja na disponibilização de casas para os programadores seniores e para os quadros dessas empresas que vêm de fora, mas isso não bastava”, adiantou o vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Sérgio Ávila.

O governante falava aos jornalistas à margem de uma visita à sala de formação da Academia de Código, uma 'start up' de Lisboa que desde finais de outubro formou 20 jovens na Praia da Vitória.

O objetivo do projeto "Terceira Tech Island", que integra o Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira (PREIT), é “atrair e criar condições para o desenvolvimento de empresas de programação nos Açores, particularmente na ilha Terceira, como alternativa a minimizar ou anular os efeitos da redução na base das Lajes”.

Nesse sentido, o executivo açoriano pretende aproveitar infraestruturas nas imediações da base das Lajes, abandonadas pela Força Aérea norte-americana, aquando da redução do seu efetivo militar, para instalar na ilha empresas de programação.

Segundo Sérgio Ávila, a programação é o setor de atividade económica com maior crescimento a nível nacional e internacional e há necessidade de 50 mil pessoas qualificadas, em Portugal, por isso o executivo açoriano decidiu promover e financiar a formação nesta área.

“Não se consegue captar empresas de programação se não houver recursos humanos locais com um nível de qualificação de programadores para iniciar uma carreira”, salientou.

Os primeiros 20 alunos, selecionados de 140 candidaturas, estão prontos a integrar o mercado de trabalho e, de acordo com o governante, já há empresas interessadas.

“O sucesso é tão grande que já tivemos aqui um conjunto de empresas a contactá-los, empresas que esperemos que se instalem cá”, adiantou.

Depois deste projeto-piloto, o Governo Regional vai criar o vale de formação “Terceira Tech Island”, para que outras pessoas possam ter acesso a formação certificada nesta área.

Em abril, abrem dois novos cursos da Academia de Código, na Praia da Vitória, com 40 vagas, e em setembro outros três, com 60 vagas.

Segundo Mónica Gandarez, gestora responsável pela atração de empresas, da Academia de Código, o objetivo é chegar aos 400 formandos e dar mais um motivo às empresas para se instalarem na ilha Terceira.

“Tem potencial, tem infraestruturas, não só tecnológicas, como espaços para escritórios e para casas, tem recursos humanos qualificados… Não estou a ver um motivo para que não possam vir para cá”, salientou.

Soraia Veríssimo, de 27 anos, natural de Angra do Heroísmo, já estava no sexto ano quando desistiu do curso de medicina e, hoje, não se imagina a trabalhar numa área diferente da programação.

Sem qualquer experiência na área, atirou-se “de cabeça” ao desafio, depois de ver um anúncio do curso de programação, e diz que foi a “melhor decisão que podia ter tomado”.

“Tudo hoje em dia, as mais pequenas coisas que nós usamos no dia a dia, tudo é programado, tudo tem uma base de programação por detrás, portanto é sem dúvida a área do futuro”, frisou.

Rodrigo Duarte terminou o curso em gestão de sistemas de informação e ainda chegou a trabalhar na área, mas ficou desempregado e decidiu também agarrar esta oportunidade.

Para já, o jovem de 32 anos, natural de Angra do Heroísmo, pretende trabalhar numa empresa, para adquirir mais conhecimentos, mas não exclui a criação de um projeto próprio no futuro.

“Acho que a Terceira e, por consequência, os Açores só têm a ganhar com isto, porque os Açores não têm ainda a sua marca no mapa tecnológico a nível mundial e é possível. Os Açores têm essa capacidade e essas condições, por isso, acho que vai ser uma expansão em grande”, apontou.



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