Governo português lamenta perda de acervo "insubstituível" do Museu Nacional no Brasil

Governo português lamenta perda de acervo "insubstituível" do Museu Nacional no Brasil

 

Lusa/AO Online   Internacional   3 de Set de 2018, 16:44

O Governo português exprimiu esta segunda-feira, em comunicado, "profunda tristeza" pela "perda de um acervo histórico e científico insubstituível" devido ao incêndio ocorrido no Museu Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro.

Num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Governo lamenta também a perda, para o Governo e o povo brasileiro, pelos danos sofridos pelo próprio edifício, "também ele um marco importante da História comum luso-brasileira".

O Governo português diz ainda estar "inteiramente disponível para, no que for útil e possível, colaborar na procura da reconstituição deste importante património identitário, não apenas do Brasil, mas de toda a América Latina e do mundo, em prol das gerações presentes e futuras".

"Quando se comemoram os 200 anos da aclamação de D. João VI, fundador do originário Museu Real, e do nascimento da Rainha de Portugal D. Maria II, ocorrido neste mesmo Palácio de São Cristóvão, somos dramaticamente recordados de que também nas tragédias se refletem os vínculos seculares entre os nossos dois países", acrescenta.

Também o ministro português da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, lamentou o incêndio que atingiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, classificando-o como "uma perda irreparável".

"Estamos consternadíssimos. Nós sentimos também essa perda porque era um acervo importantíssimo da história natural do país, da sociedade brasileira e também da história política, sendo este o palácio onde o rei de Portugal se veio instalar quando levou a corte para o Brasil. É um monumento muito importante para a história dos dois países", constatou o ministro à chegada ao Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, onde iria abrir o 9.º colóquio do polo de pesquisas luso-brasileiras.

A instituição, destruída pelo fogo, foi criada há 200 anos por João VI, de Portugal, e era o mais antigo e um dos mais importantes museus do Brasil.

"Portugal perde sempre. Perderam-se móveis de D. João VI, os diários da imperatriz Leopoldina. É património de origem portuguesa, mas é património cultural do Brasil", referiu Luís Filipe Castro Mendes.

O acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, no Brasil, que foi consumido por um incêndio na noite de domingo e ao longo da madrugada desta segunda-feira, era um dos maiores conjuntos históricos e científicos do país, com cerca de 20 milhões de peças.

Entre as peças do acervo estavam a coleção egípcia, que começou a ser adquirida pelo imperador Pedro I, e o mais antigo fóssil humano encontrado no Brasil, batizado de "Luzia", com cerca de 11.000 anos.

O Museu Nacional do Rio de Janeiro era o maior museu de História Natural e Antropologia da América Latina e o edifício tinha sido residência da família real e imperial brasileira.

Entre os milhões de peças que retratavam os 200 anos de história brasileira estavam igualmente um diário da imperatriz Leopoldina e um trono do Reino de Daomé, dado em 1811 ao príncipe regente João VI.

A história do museu remonta aos tempos da fundação do Museu Real por João VI, em 1818, cujo principal objetivo era propagar o conhecimento e o estudo das ciências naturais em terras brasileiras. Hoje, era reconhecido como um centro de pesquisa em história natural e antropológica na América Latina.



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