Governo dos Açores deve retirar "mapa de extinção e cortes" na Saúde

19 de jun. de 2013, 15:36 — Lusa/AO Online

  “Para o PSD/Açores, é inaceitável uma reforma que inverte o paradigma de acesso aos cuidados de saúde, concentrando nos cuidados hospitalares a resposta aos cidadãos. Para o PSD/Açores não há, por isso, outro caminho: o Governo Regional deve esquecer esta proposta", afirmou o deputado Luís Maurício, defendendo “uma efetiva aposta nos cuidados primários”. O deputado falava no parlamento dos Açores, na abertura do debate sobre a reestruturação do SRS, pedido pela oposição, a que se seguirá outro, sobre o mesmo tema, pedido pelo governo açoriano. O executivo, acrescentou, deve "analisar com atenção os contributos que recebeu e elaborar uma boa proposta que pareça menos um mapa de extinção e cortes de serviços”. Para os sociais-democratas, numa região que diz ter as contas equilibradas, não faz sentido uma reforma do SRS como a sugerida pelo Governo dos Açores, “tão má que conseguiu ser rejeitada pelos partidos políticos da oposição, pelos profissionais do setor da saúde e pelos próprios utentes”, assim como por uma parte do PS. “Os açorianos merecem efetivamente um SRS feito a pensar nos próximos 50 anos e não uma proposta destinada a amputar alguns dos serviços que foram criados nos últimos 20”, sublinhou. O líder do CDS-PP/Açores, Artur Lima, considerou também a proposta “um retrocesso”. Entre outras críticas, apontou que o documento “faz uso e abuso de rácios e padrões internacionais para justificar as suas opções, desprezando a realidade arquipelágica e demográfica dos Açores”. O deputado considerou ainda que o documento “propõe desmantelar” a rede de cuidados primários e o Centro de Oncologia dos Açores, “um dos melhores serviços da região”, “transformar os hospitais da Terceira e do Faial em extensões de saúde do Hospital de Ponta Delgada” e “terminar com a deslocação de especialistas às ilhas sem hospital […], trocando-as por consultas de uma coisa que não existe e nunca funcionou: a telemedicina”. “Este é o maior atentado ao SRS de que há memória”, sublinhou, dizendo que, por outro lado, "atira para o lixo” o próprio programa do governo. Pelo PCP, Aníbal Pires considerou que esta “não é uma proposta de reestruturação” porque “não aborda os grandes problemas do sistema, não faz alterações de fundo que permitam enfrentá-los, nem superá-los e deixa de lado a grande questão, que está na mente de todos, que é o do endividamento do SRS”. “Ao contrário do que propõe o governo, a solução não é cortar a eito, não é demolir a rede de cuidados de saúde. Consideramos que o investimento na medicina preventiva e de proximidade é a chave de poupanças futuras”, afirmou. Também Zuraida Soares, do BE, considerou que a proposta “afasta as pessoas do acesso à saúde”, mas sem que isso se traduza “em poupanças financeiras”. “A bem da defesa do SRS, este documento só tem um caminho: ser lançado no rol das inutilidades”, afirmou a deputada, acrescentando, tal como outros partidos, que o Governo Regional devia “lançar um verdadeiro processo de auscultação”. Paulo Estêvão, do PPM, concordou na condenação da proposta, que “prejudica gravemente a prestação de serviços de saúde” e defendeu que “o melhor é começar de novo”. José San Bento, do PS, aproveitou para criticar o PSD por querer que o Governo Regional retirasse a proposta, depois de ter votado a extensão do debate público por mais um mês. O deputado desvalorizou ainda que o PS discorde de alguns pontos do documento, referindo que o partido não é "seguidista" e que vai fazer propostas para o melhorar.