Educação

FNE contesta redução de professores justificada por diminuição de alunos

FNE contesta redução de professores justificada por diminuição de alunos

 

Lusa/AO Online   Nacional   7 de Set de 2012, 08:38

A diminuição do número de alunos não deve justificar a redução de contratação de professores, defendeu à agência Lusa o secretário-geral da Federação Nacional de Educação, afirmando que é preciso investir nos adultos e alunos mais desfavorecidos.

 

João Duas da Silva contesta a posição do ministro da Educação, Nuno Crato, que considerou, em entrevista hoje divulgada no semanário Sol, ser "inevitável a redução" do número de professores contratados para este ano letivo.

Segundo o ministro, a situação é “humanamente preocupante”, mas é justificada com “a redução da população escolar, em cerca de 200 mil alunos nos últimos anos (cerca de 14 por cento)”.

Justificação com que o secretário-geral da FNE discorda, afirmando que "Portugal tem de fazer um esforço muito grande para melhoria das qualificações dos portugueses, quer ao nível da população adulta - precisamos de qualificação escolar e de qualificação profissional de muita população adulta -, quer para investir em ações que visem promover o sucesso de alunos que são provenientes de contextos socioeconómicos mais desfavorecidos".

Exigências que levam João Dias da Silva a contestar também que o número de alunos por professor tenha aumentado.

Para Nuno Crato, o rácio alunos-professores que Portugal tinha estava ao nível dos países ricos, como a Áustria, devendo agora passar para uma média de 30 por turma.

"Portugal não é um país rico, mas também é pobre culturalmente, no sentido de que ainda precisa de melhorar as suas qualificações", alegou o sindicalista, acrescentando que os alunos provenientes de extratos socioculturais mais desfavorecidos precisam de mecanismos de promoção do sucesso.

"Para isso são necessários professores", sublinhou.

Na entrevista dada ao Sol, o ministro da Educação defende também que não vai sofrer contestação nas ruas como aconteceu com a sua antecessora, Maria de Lurdes Rodrigues, porque “existe um entendimento por parte dos professores e por parte dos diretores” de que o ministério está a “trabalhar para melhorar a Educação em Portugal”.

Posição que João Dias da Silva também considera ser o melhor cenário, mas que diz não ter certeza de que não vai acontecer.

"Nós também preferimos que as soluções sejam encontradas sem necessidade da contestação. O recurso à luta por parte das organizações sindicais faz-se quando não se encontra do outro lado capacidade de diálogo, procura de consensos, procura de soluções equilibradas e respeito por aqueles que são os profissionais de cada setor", afirmou.

No entanto, avança, "se não houver valorização, se houver medidas que vão contra os interesses e os direitos essenciais dos professores e dos trabalhadores de apoio educativo, é evidente que o senhor ministro e o Governo terão contestação".


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