Falsa médica diagnostica cancro por telefone

Falsa médica diagnostica cancro por telefone

 

Lusa/AO Online   Nacional   5 de Ago de 2010, 07:23

Uma falsa médica tem encaminhado várias mulheres para o Hospital São João, no Porto, dizendo-lhes por telefone que lhes foi diagnosticado cancro do útero ou da mama e que se devem dirigir a uma consulta naquela instituição.

A denúncia foi hoje feita pelo Conselho de Administração do Hospital São João que caracteriza a situação de ato “criminoso” que “não pode sequer ser encarado como uma brincadeira de mau gosto”, frisou o presidente António Ferreira.

A situação não é nova, com episódios que remontam a 2008, mas a falsa médica voltou a atuar na passada semana, levando o hospital a procurar alertar o público para que alguém, se contactado pela falsária, perceba “que está a ser objeto de fraude e contacte imediatamente o hospital para ativar as autoridades”, salientou o responsável.

O modo de atuação passa por telefonar às vítimas (todas mulheres com idades a rondar os 30 anos) dizendo trabalhar no Centro de Oncologia daquele hospital (que não tem essa designação mas a de Hospital de Dia de Oncologia Médica) e ter tido acesso a determinados exames que indicam possibilidade de cancro de útero ou de mama.

Às mulheres é ainda pedido, durante a chamada telefónica, que façam exames de palpação ao peito e genitais, que recolham uma amostra de urina para um frasco e que guardem a roupa interior a fim de a entregarem, no dia seguinte, numa consulta agendada no Hospital de São João durante a qual serão sujeitas a uma intervenção cirúrgica.

“Quando chegam aos hospital chegam revoltadíssimas. Isto é humilhar as pessoas”, realçou António Ferreira, acrescentando ser “impensável” que o responsável por esta situação seja algum funcionário daquela instituição.

Carla Oliveira, responsável adjunta do Gabinete do Utente que tem acompanhado as vítimas, explica que a falsa médica tem “uma estratégia estudada” já que conhece “algum do historial” clínico das mulheres alvo dos telefonemas.

A falsa médica “identifica-se, assusta a vítima dizendo que tem uma neoplasia (cancro) e revela pormenores da mesma para que acreditem”, acrescenta.

Até ao momento, as sete vítimas identificadas (outras há que preferiram não apresentar denúncia formal), são todas da região do Grande Porto ou Norte (Braga e Ponte de Lima), nenhuma é doente do Hospital de São João, nenhuma tem patologia oncológica confirmada ou sequer um problema ligado à oncologia.

“Podem sim ter algum historial de nódulos ou quistos”, salientou a responsável.

As chamadas são sempre feitas à noite, para um número de telemóvel e aparecem identificadas, sendo que o número de origem deixa de estar disponível nos dias seguintes.

Pelo menos numa situação a vítima acedeu fazer uma vídeo chamada. Três das vítimas eram dadoras de sangue; uma informação utilizada pela falsa médica durante as chamadas.


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