Europa vai pressionar Pequim para valorizar yuan contra o euro


 

LUsa / Ao online   Economia   25 de Nov de 2007, 19:29

A Europa deverá pressionar Pequim a valorizar o yuan contra o euro, argumentando que a diferença entre as duas moedas encarece as exportações europeias para a China e torna mais baratas as exportações chinesas para a Europa.
    A delegação europeia, liderada pelo primeiro-ministro português José Sócrates deverá aproveitar a Cimeira UE-China, que decorre na capital chinesa a 28 de Novembro, para pressionar Pequim a aumentar o valor do yuan contra o euro, que só no último ano desvalorizou 7 por cento contra a divisa europeia.

    A 27 de Novembro, véspera da cimeira, os mais altos responsáveis pela política monetária europeia - Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Juncker, presidente do grupo dos ministros das Finanças da Zona Euro, e Joaquín Almunia, comissário europeu para os Assuntos Económicos e Monetários - deslocam-se também a Pequim para pressionar a China a valorizar o yuan em relação ao euro.

    A par da valorização do yuan, a UE pretende ainda abrir mais os mercados chineses aos produtos e serviços europeus e reforçar a protecção dos direitos de propriedade intelectual das empresas europeias.

    A UE queixa-se de que, a juntar às dificuldades de entrada no mercado chinês, as empresas europeias têm de enfrentar um yuan que Pequim mantém a um nível artificialmente baixo, o que, segundo Bruxelas, contribui para um défice de 86 mil milhões de euros, só nos primeiros sete meses de 2007.

    De acordo com o comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson, a China deveria "gerir melhor a sua divisa" para seu próprio bem e para reduzir o seu excedente comercial.

    O défice comercial, que Bruxelas inclui na lista dos "desequilíbrios globais", será assim também um dos temas quentes da Cimeira UE-China, tendo Peter Mandelson avisado no final da semana passada que a China poderá enfrentar barreiras à entrada de produtos chineses na Europa, caso Pequim não tome medidas para o reduzir.

    Mandelson afirmou que Bruxelas poderá ser obrigada a tomar medidas "anti-dumping" e, no limite, apresentar queixa à Organização Mundial de Comércio, em defesa do seu mercado, considerando esse défice comercial "insustentável", devido ao facto de crescer a um ritmo de 15 milhões de euros por hora.

    As declarações do comissário reflectem a tendência actual nas relações económicas entre Bruxelas e Pequim, em que a UE vem tomando atitudes cada vez mais vigorosas para a redução do défice, com Mandelson a dizer que o governo chinês precisa de reduzir as barreiras não-tarifárias à entrada de produtos europeus e a legislação que discrimina as empresas da União Europeia.

    Por sua vez, o governo chinês apelou na semana passada ao final das barreiras que proíbem a exportação para a China de artigos europeus de alta tecnologia, defendendo que tal medida reduzirá o défice da UE no comércio com a China.

    O governo chinês considera que o excedente da China não é desproporcionado, quando posto no contexto do comércio externo global com o seu país.

    Produtos como computadores ultra-rápidos e maquinaria de precisão são alguns dos produtos de alta tecnologia que a China não pode importar da UE, sendo necessárias autorizações especiais.

    Em declarações à Lusa, analistas chineses afirmaram que a cimeira UE-China será uma ocasião de ouro para aprofundar a confiança entre os dois, clarificar mal-entendidos e fortalecer uma relação já com 32 anos de vida.

    Os mesmos analistas acrescentam que europeus e chineses têm mesmo de falar, tendo em conta o desacordo entre Bruxelas e Pequim sobre o que fazer com o Irão, Taiwan ou a Birmânia.

    A Europa e a China são demasiado importantes (responsáveis respectivamente por 20 e 17 por cento por cento do produto interno bruto mundial) para não se entenderem, defenderam ainda.

    Segundo dados comunitários, o bloco dos 27 países registou em 2006 um défice de 130 mil milhões de euros, que aumentou 25 por cento só nos primeiros oito meses de 2007.

    A manter-se o padrão actual de crescimento, segundo a Comissão Europeia, o défice deverá atingir os 170 mil milhões de euros até ao final do ano.

    A União Europeia (UE) é o maior parceiro comercial da China, tendo as relações comerciais entre os dois blocos ultrapassado os 259 mil milhões de euros no ano passado, segundo os mais recentes dados comunitários.

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