Escaravelho japonês provoca estragos no Faial


 

Lusa/AO On line   Regional   30 de Jul de 2010, 09:35

O escaravelho japonês (popillia japónica) está a provocar este ano estragos nas culturas do Faial, causando transtornos à população desta ilha dos Açores, uma das mais afetadas pela praga, que existe no arquipélago desde 1970.
 

Os agricultores do Faial queixam-se de estragos nas culturas de batata, feijão e vinha, embora a praga provoque também a destruição das folhas de árvores de fruto e das flores, especialmente nesta altura do ano em que o inseto atinge o tamanho adulto.

"A praga este ano veio mais tarde, mas, mesmo assim, manteve o mesmo poder destrutivo", afirmou António Lobão, em declarações à Lusa, salientando que a população tem estado a recorrer a produtos químicos para combater o escaravelho.

“Já sulfatei várias vezes a vinha e as plantas, mas o efeito destes químicos só aguenta três ou quatro dias”, acrescento este reformado, que se queixou de os Serviços de Desenvolvimento Agrário da Ilha terem também iniciado mais tarde a distribuição de iscos para o combate à praga.

António Lobão revelou que contactou os serviços "assim que o escaravelho apareceu", mas, na altura, não havia iscos disponíveis, acrescentando que o combate químico contra esta praga apenas foi reforçado há cerca de duas semanas.

Carlos Santos, director regional de Agricultura e Pecuária, admitiu à Lusa que se registou “algum atraso” na chegada aos Açores dos iscos para o combate ao escaravelho, adquiridos no mercado norte-americano.

Este responsável salientou, no entanto, que o combate químico da praga é apenas uma “pequena parte” do trabalho de controlo e erradicação do escaravelho japonês que se faz nos Açores.

Carlos Santos frisou que “não existe no mercado nenhum produto homologado para o combate ao escaravelho japonês”, o que obrigou as autoridades regionais a procurar produtos químicos para atuar apenas na proteção das culturas.

Além desta luta química, os Serviços de Desenvolvimento Agrário têm também utilizado um fungo na luta biológica contra o desenvolvimento da praga.

O diretor regional considerou que os prejuízos que o escaravelho japonês provoca nas culturas açorianas “não são alarmantes”, recordando que “a praga já existe nos Açores há 40 anos e não há registo de grandes estragos”.

Os dados oficiais indicam que o escaravelho japonês existe apenas nas ilhas Terceira, onde terá entrado em 1970, no Faial, onde chegou em 1996, no Pico, desde 2006, e em S. Miguel, onde chegou em 2005 mas está apenas numa área circunscrita na zona dos Arrifes.

Relativamente às capturas de escaravelho japonês nos Açores, o Pico é a ilha mais afetada, com cerca de um milhão de adultos capturados em 2009, seguida do Faial (277 mil), S. Miguel (260 mil) e Terceira (219 mil).


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.