Época de touradas à corda começa hoje na Terceira


 

Lusa / AO Online   Nacional   1 de Mai de 2010, 09:26

A Ganadaria Ezequiel Rodrigues tem 24 touros puros, nunca corridos, prontos para a época das touradas à corda, típicas da ilha Terceira, Açores, que hoje começa e se prolonga até 15 de outubro.

"Possuímos 272 cabeças de gado bravo, meia centena das quais com condições para serem corridas nas touradas de praça e nas touradas à corda", revelou hoje José Manuel Rodrigues, gestor da ganadaria fundada pelo pai.

José Manuel Rodrigues tinha treze anos quando o pai, Ezequiel Rodrigues, fundou em 1975 a ganadaria com 62 cabeças de gado bravo, numa decisão "há muito tempo pensada, que foi amadurecendo e depois concretizada, porque era o que ele mais gostava”.

O aficionado, que se assumiu "muito apaixonado pelos toiros", disse à Lusa que "as touradas são um cartão de visita da ilha Terceira, particularmente as touradas à corda, porque são únicas no mundo".

Apesar do elevado número de touradas à corda que se realizam nesta ilha açoriana, 246 no ano passado e 268 no ano anterior, José Manuel Rodrigues considerou que "há muitas ganadarias e a ilha não cresce".

"Existem 11 ganadeiros inscritos na Associação de Criadores de Toiros de Lide e mais quatro inscritos na Associação de Toiros de Lide de Praça", frisou.

Para agravar a situação, referiu ainda que num "Inverno tão prolongado como este ano, sai caro manter tantos animais nas pastagens".

"Só na ilha Terceira, devem existir perto de duas mil cabeças de gado bravo", afirmou.

No entanto, José Manuel Rodrigues atestou a qualidade e bravura dos animais, frisando que "podem ser lidados em qualquer praça do pais”.

Figuras centrais nas touradas à corda são os ‘capinhas’, que se “mandam ao focinho do animal" para o provocar, como explicou à Lusa Carlos Paes.

"Alguns usam mantas, outros guarda-chuvas, mas eu vou com a mão ao focinho dele e procuro levá-lo de ponta a ponta do arraial onde decorre a tourada", afirmou o jovem ‘capinha’ de 25 anos.

Carlos Paes não tem antecedentes familiares com ligação a esta actividade, que surgiu devido ao “gosto fenomenal pelos touros".

Até 15 de outubro, todas as 30 freguesias dos concelhos de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória terão pelo menos uma tourada à corda, mas algumas localidades vão realizar três ou quatro.

Para este ano, o governo regional limitou a 30 minutos a duração máxima das touradas à corda, devendo a lide de cada touro durar entre 15 e 30 minutos.

Por outro lado, passa a ser possível realizar touradas à corda em qualquer dia da semana, para evitar a acumulação aos fins-de-semana, ainda que não possam decorrer no mesmo dia mais do que uma em cada freguesia ou em freguesias contíguas.


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