Dificuldades no ramo dos combustíveis


 

Lusa/AOonline   Economia   2 de Dez de 2007, 10:53

Cerca de 90 postos de abastecimento de combustíveis encerraram no primeiro semestre deste ano, muitos deles por falência, outros por se encontrarem junto a edifícios ou desrespeitarem o ambiente, segundo dados da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis.
 "No primeiro semestre do ano fecharam 88 postos de abastecimento de combustíveis e no ano de 2006 encerraram 56", disse à agência Lusa Augusto Cymbron, presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC), que considera estes números “muito elevados” e com "tendência a aumentar".

    Na origem dos encerramentos está a legislação que proíbe a instalação de postos de abastecimento junto ou no interior de edifícios, o desrespeito pela qualidade ambiental e segurança e o aumento dos preços dos combustíveis, o que levou a situações de falência e pré-falência, nomeadamente nos postos junto das fronteiras com Espanha, onde os preços dos combustíveis são mais baratos, explicou.

    O fecho das bombas “afectou muita gente que foi para o desemprego”, adiantou o responsável, que estima que 1.500 postos de trabalho tenham sido extintos entre Janeiro de 2006 e Junho deste ano.

    Para tentar manter o negócio, muitos proprietários abriram garagens ou oficinas de mecânica, mas a “bomba era o chamariz desse negócio”, afirmou.

    A proibição de funcionamento das bombas de gasolina junto ou no interior de prédios levou ao fecho de vários postos, tendo sido os distritos de Lisboa e Setúbal os mais afectados, segundo Augusto Cymbron.

    Muitos dos tanques desses postos de combustível ainda se mantêm no local, como acontece em várias zonas de Lisboa, apesar de estarem desactivados e selados.

    “Quando os proprietários dos terrenos não se importam os tanques permanecem no local. São desgaseificados, através de lavagens com água quente, e depois cheios com areia para evitar o alojamento de resíduos e libertação de cheiros”, explicou, sublinhando que “é uma medida absolutamente segura”.

    Geralmente são postos de combustível que estavam situadas dentro de edifícios e garagens, cujos subsolos não vão ser utilizados, acrescentou.

    A Associação Nacional de Revendedores de Combustível considera que se não forem tomadas medidas para evitar mais encerramentos, como a redução da carga fiscal sobre os produtos petrolíferos, “o próximo ano será catastrófico”.

    “Estamos contra terem fechado tantos tanques que tinham condições e cumpriam a legislação”, frisou, justificando que muitos deles foram encerrados por incapacidade de muitas autarquias em responder às solicitações dos revendedores.

    O responsável deu como exemplo uma operação da Autoridade se Segurança Alimentar e Económica (ASAE) que decorreu no ano passado e que levou ao encerramento de 50 postos de abastecimento de combustíveis.

    A maioria dos postos fechados na altura não exibia selo válido de controlo metrológico (que afere que pelas mangueiras passa a quantidade de combustível paga) obrigatório e renovado anualmente por vistoria das autarquias, que desde 2002 têm a competência do licenciamento de construção e exploração dos postos de abastecimento.

    “Muitas autarquias não têm meios para isso. Têm meios de cobrança para licença, mas não têm equipamentos de medição para verificação dos níveis de controlo metrológico. Se aparecer a ASAE, como apareceu e que é muito rigorosa, encerra os postos”, sustentou.

    Uma fonte da Polícia Municipal de Lisboa adiantou à Lusa que tem havido um encerramento gradual dos postos de abastecimento de combustível na cidade e a sua transformação em garagens de recolha de carros ou oficinas.

    “A competência é da Câmara, a Polícia Municipal vai ao local quando há uma denúncia e faz um relatório para a autarquia decidir” o futuro do posto, explicou.

    Augusto Cymbron adiantou que já se começa a sentir dificuldades em abastecer em Lisboa, principalmente à noite, e alertou para não acontecer como em França, que acabou com todas as bombas no interior das povoações, obrigando os automobilistas a abastecerem-se nas vias rápidas.

    Segundo dados da ANAREC, existem entre 2.200 a 2.400 postos de abastecimento de combustíveis em Portugal.

   

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