Deputados portugueses em Israel


 

Lusa/AO on line   Nacional   29 de Jun de 2010, 07:02

Quatro deputados portugueses, de três partidos, estão em Israel, onde já se reuniram com dirigentes políticos, designadamente o presidente Shimon Peres, e dois deles deverão deslocar-se hoje a Ramallah, na Cisjordânia.

O grupo, que não partilha uma mesma agenda de visita, é constituído pelo socialista João Soares, o social-democrata Luís Campos Ferreira e os populares João Rebelo e Teresa Caeiro.

Os dois primeiros estão presentes a título de membros da Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e a Cooperação Europeia (OSCE) e os populares pelo Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Israel, que aliás é presidido por João Rebelo.

A visita começou no sábado e prolonga-se até quarta-feira.

João Soares e Luís Campos Ferreira salientaram, em declarações à Lusa, a lógica de continuidade e informação que subjaz à viagem, “a mais uma viagem” à região, como salientou o segundo.

O primeiro adiantou que o grupo “foi convidado pelos israelitas para tomar contacto com a realidade do Médio Oriente” e o segundo acrescentou que “não nos cabe dar soluções [ao conflito], mas dar um contributo para que haja diálogo, principalmente entre a Fatah e o Estado de Israel”.

Até ao momento, o grupo já se reuniu com o presidente Shimon Peres, o presidente do parlamento (‘Knesset’), deputados e personalidades que têm contactos com Portugal, entre as quais o presidente da Câmara de Comércio Luso-Israelita, e deslocou-se a um ‘kibbutz’ [povoação comunitária] e à fronteira com a Faixa de Gaza.

Na fronteira de Gaza “verificámos a existência de rockets e mísseis Qassam, que não são fabricados em Gaza”, avançou o deputado do PSD.

Soares salientou que ele próprio e o deputado Campos Ferreira estiveram há mais de um ano na Jordânia, em Israel, na Cisjordânia, por duas vezes, e no Egipto, onde se reuniram com diversos dirigentes de topo, do governo e da oposição.

“Somos pessoas que nos temos interessado pelo problema, numa lógica de compreensão, não numa de dar conselhos e apresentar soluções”, insistiu.

O deputado social-democrata considera que Israel tem dois problemas, um com a Fatah e outro com o Hamas: “Com a Fatah é mais fácil. Estão a dialogar. Ramallah está a desenvolver-se a olhos vistos. Tem níveis de segurança impensáveis no ano passado. Outra situação, completamente distinta é a que existe com o Hamas, com quem [Israel] está praticamente em guerra”.

Da reunião com Shimon Peres, que durou uma hora, Luís Campos Ferreira disse que o presidente israelita transmitiu ao grupo “uma grande preocupação: o Irão”.

A mensagem central passada por Shimon Peres foi a de que “o Irão deve ser uma preocupação para todo o Ocidente, inclusive para os EUA, e não só para Israel”, que está convencido que os iranianos podem ter armas nucleares a breve trecho, revelou Campos Ferreira.

Este deputado acrescentou ainda que Israel não tem problemas com os vizinhos, tirando o Hezbollah, do Líbano, e o Hamas, em Gaza.

As relações são boas com Jordânia e Egipto e com a própria Síria são “sustentadas”.

Convencido de que o incidente com a designada ‘frota da liberdade’ acabará por não passar de “espuma dos dias”, Campos Ferreira salientou que os ministros da Defesa de Israel e Turquia são amigos pessoais e que o incidente pode ter resultado da luta política interna na Turquia.

Aliás, Campos Ferreira sublinhou que “há Estados árabes que estão ao lado de Israel contra o Irão”, seja devido à divisão entre chiitas e sunitas, seja porque não querem que o Irão ganhe ascendente sobre os árabes.

Hoje, João Soares e Luís Campos Ferreira deverão ir à Cisjordânia, depois de mais uma reunião com membros do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita e o presidente do Knesset.

Do seu programa na Cisjordânia, onde deverão estar acompanhados do representante diplomático português, os dois deputados apenas adiantaram que esperam ver o jogo do campeonato mundial de futebol entre Portugal e Espanha, em Ramallah.

A ausência dos deputados do CDS nesta deslocação à Palestina deve-se a que não têm a mesma agenda dos outros deputados, apesar de haver pontos comuns entre as duas.


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