Crescimento da zona OCDE revisto em baixa

Crescimento da zona OCDE revisto em baixa

 

Lusa / AO Online   Economia   6 de Dez de 2007, 12:41

A OCDE reviu em baixa - de 2,7 para 2,3 por cento - as perspectivas de crescimento para 2008 nos países membros da organização, mas espera uma retoma - para 2,4 por cento - em 2009.
    Nas suas previsões económicas de Dezembro, hoje divulgadas, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos manteve para o ano que agora termina os 2,7 por cento de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) que antecipava nas previsões anteriores publicadas em Maio.

    "Embora o crescimento a curto prazo tenha sido revisto em baixa em quase toda a zona OCDE, o cenário de referência não é tão desfavorável tendo em conta os choques recentes", observa no seu relatório semestral sobre as perspectivas económicas.

    O aumento do comércio, do emprego e dos lucros das empresas protege a economia mundial, assegurando que o crescimento não esteja tão mau face aos recentes choques no imobiliário, nas matérias-primas e nos mercados financeiros, disse a OCDE.

    Tal optimismo leva a organização sedeada em Paris a instar a Reserva Federal e o Banco Central Europeu a não baixar as taxas de juro num contexto de inflação persistente. O Banco do Japão deverá evitar um aumento das taxas para assegurar a saída da deflação.

    "As políticas monetárias nas três principais zonas - EUA, zona Euro e Japão - deverão ser mantidas inalteradas", escreve a OCDE, que julga as actuais condições "ligeiramente acomodatícias" adaptadas à situação.

    A OCDE prevê que o crescimento nos Estados Unidos abrandará no próximo ano para 2 por cento, depois dos 2,2 esperados para o ano em curso e em 2009.

    Se a previsão para este ano é melhor do que os 2,1 por cento antecipados em Maio, a revisão em baixa para 2008 foi particularmente significativa, face aos 2,5 por cento anteriormente prognosticados.

    Esta forte revisão da previsão para 2008 é explicada pela crise do mercado imobiliário que deverá provavelmente acentuar-se a curto prazo. "A correcção acelerada no sector da habitação nos Estados Unidos, que afectará o crescimento a curto prazo, não deverá no entanto desencadear uma recessão e só agravará de forma moderada o desemprego", julga a organização.

    Para a Zona Euro, a revisão em baixa das perspectivas de crescimento é igualmente acentuada com somente 1,9 por cento previstos para o próximo ano quando esta taxa era ainda de 2,3 por cento há seis meses, e isto face a um crescimento esperado de 2,6 por cento este ano. Para 2009, deveria ser de 2 por cento.

    "A subida das taxas de juro, a apreciação do euro e o endurecimento das condições do crédito são factores que travam a actividade", sublinha a organização.

    Para os economistas da instituição, "o crescimento deverá abrandar e manter-se abaixo do seu potencial (de cerca de 2 por cento) até o segundo semestre de 2008", um arrefecimento "imputável essencialmente ao consumo e ao sector imobiliário da habitação".

    Mas o crescimento deverá de seguida conhecer uma retoma "para atingir uma taxa próxima do seu nível potencial a partir de meados de 2008", acrescenta julgando que as perspectivas "permanecem relativamente boas".

    No que respeita à inflação, que está em alta nos treze países da zona euro (3 por cento no ano em Novembro), a OCDE espera um recuo abaixo dos 2 por cento em 2008. Julga portanto não ser necessário aumentar as taxas de juro.

    Os 30 Estados membros da OCDE são a Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Dinamarca, Espanha, os Estados Unidos, a Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Islândia, Itália, o Japão, Luxemburgo, México, a Noruega, Nova-Zelândia, Holanda, Polónia, Portugal, Eslováquia, República Checa, o Reino Unido, a Suécia, Suiça e Turquia.

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