HIV/SIDA

Coordenador nacional diz que preço medicamentos deve "baixar verdadeiramente"


 

Lusa/Ao online   Nacional   13 de Out de 2007, 22:10

O coordenador do programa nacional de Luta contra a SIDA defendeu hoje a necessidade de "baixar verdadeiramente" o preço dos medicamentos para o combate às infecções e a urgência na criação de condições de igualdade no acesso ao tratamento.
    "Há muito mais pessoas que se infectam a cada dia do que pessoas que têm acesso à medicação. É preciso baixar verdadeiramente o preço dos medicamentos, que são excessivamente caros", declarou Henrique de Barros, à margem da sessão de encerramento da reunião internacional de coordenadores de programas nacionais contra a infecção HIV/SIDA.

    "Não basta ter medicamentos num país; é preciso que eles percorram a distância entre o local onde estão armazenados e o local onde as pessoas vivem. Há todo um conjunto de dificuldades que tem que ser superado para garantir a saúde das populações", sustentou Henrique de Barros.

    Para facilitar o acesso aos medicamentos o coordenador nacional defende o fim de "falsas barreiras, impedindo o acesso aos serviços de saúde onde os medicamentos existem, não dificultando o acesso aos tratamentos e publicitando os caminhos que as pessoas podem seguir para encontrarem aquilo que precisam".

    A questão das populações migrantes dominou também os dois dias de debate da reunião de coordenadores de programas contra a Sida, realizada no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia, no Centro Cultural de Belém, e que reuniu representantes de cerca de 50 países.

    "Ainda sabemos muito pouco, é muito importante sabermos verdadeiramente qual é a magnitude do problema, mas sabemos que o acesso à prevenção e o acesso ao tratamento é um direito humano e, como tal, temos obrigação de o garantir, esta é a mensagem fundamental desta reunião" no que se refere aos migrantes, frisou Henrique de Barros.

    "na Europa tudo isso está disponível, portanto, é preciso é levantar as barreiras e assumirmos todos em conjunto que os migrantes são uma parte fundamental da nossa vida e do nosso próprio bem-estar e que o acesso ao tratamento é um direito humano inalienável que tem que ser respeitado".

    A propósito, Henrique de Barros informou que está programado um conjunto de acções, a desenvolver ainda este ano e também em 2008, "no sentido de encontrar as pessoas, de saber o que precisam e de lhes dar o acesso ao teste para a infecção, o encaminhamento para os serviços de saúde e a informação que respeite o essencial da cultura dos países de origem".

    Números do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge revelam que em Junho de 2007 havia em Portugal 31.677 casos notificados de portadores de HIV/SIDA, mais 2.216 casos do que em Junho de 2006.

    Os mesmos dados revelam que a principal via de infecção é a via venosa, associada à toxicodependência, representando 44,4 por cento de todas as notificações (14.061).

    A segunda grande causa é a transmissão sexual entre heterossexuais, com uma percentagem de 38,9 por cento dos casos registados, representando a transmissão sexual entre homossexuais 11,9 por cento desses casos.

    A Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida lançou a 01 de Outubro uma nova campanha de comunicação, com o tema "Cinco Razões para Não Usar Preservativo", em que caras conhecidas do público dão corpo às diferentes fases da doença com o objectivo de realçarem a importância da utilização do preservativo.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.