CDS-PP assume os "compromissos" de baixar o IRS e eliminar sobretaxa do ISP

CDS-PP assume os "compromissos" de baixar o IRS e eliminar sobretaxa do ISP

 

AO Online/ Lusa   Nacional   9 de Set de 2018, 09:43

A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, reafirmou este sábado o partido como “a alternativa às esquerdas encostadas”, assumido como “compromissos” eleitorais “baixar o IRS em todos os escalões” e “eliminar a sobretaxa do ISP [Imposto Sobre Produtos Petrolíferos]”.

“Queremos baixar o IRS em todos os escalões, de forma bem pensada e progressiva. Queremos repor o quociente familiar e aplicar tabelas reduzidas a metade no interior do país. Só assim estaremos a ser justos com todos, a promover a natalidade e a ajudar à coesão territorial”, afirmou Cristas no discurso que marcou a ‘rentrée’ do CDS, em Ermesinde.

Outro dos compromissos assumidos pela líder centrista foi a diminuição da sobretaxa do ISP, de forma a acabar com o “verdadeiro saque fiscal a todos os portugueses” que se diz verificar-se atualmente, seja quando “abastecem gasóleo ou gasolina” ou quando” pagam mais pelos bens e serviços, encarecidos por esta via”.

“E não nos digam que mais vale baixar passes sociais. Só quem não conhece o país fora das grandes cidades, só quem não sabe que em muitas zonas do nosso país simplesmente o transporte coletivo não existe e não há qualquer alternativa ao automóvel é que pode fazer esse raciocínio”, sustentou.

Falando perante uma plateia de algumas centenas de pessoas no Parque Urbano de Ermesinde - no que descreveu como uma “grande mobilização que, ao contrário de outros, não precisou de comboios prioritários” - Assunção Cristas reafirmou o CDS-PP como a “alternativa a António Costa e às esquerdas encostadas” e como “o único partido que recusa servir de ‘muleta’ a António Costa”.

“Este Governo não resolve os problemas do nosso país. Simplesmente os ‘empurra com a barriga’. E quando há demasiada celeuma na comunicação e nas redes sociais acerca da inoperância do Governo, promete dinheiro para todos os setores que se queixam. É o chamado ‘atirar dinheiro para cima dos problemas’. E dinheiro de todos nós”, afirmou.

Como “prioridades claras” a líder dos centristas apontou a demografia (“da natalidade ao envelhecimento ativo e à proteção dos idosos, passando pela saúde”), o território (“atendendo ao desafio do interior, da coesão territorial e do mar e tendo bem presentes as condicionantes das alterações climáticas e o tema cimeiro da água”), e a economia digital (para “aproveitar todas as oportunidades da era digital”).

Porque “a saúde não pode depender do local onde se mora nem da dimensão da carteira que se tem no bolso”, Cristas defendeu também “a mesma saúde para todos”, propondo o alargamento da ADSE “a todos os portugueses”.

Já para promover a natalidade prometeu avançar com uma “política fiscal amiga das famílias em todos os impostos”, com “propostas em matéria de conciliação trabalho/família, a exigência de uma “cobertura total de creches, contratualizando nomeadamente com o setor privado”, e a criação de “um passe familiar para os transportes coletivos, mas não só para Lisboa, para todo o país”.

Para promover o investimento, Assunção Cristas garantiu ainda que continuará “a batalhar pela baixa do IRC, que provou no passado recente ter efeitos virtuosos”, e assegurou que com o CDS “o Estado não continuará a ser o sócio maioritário das PMEs [Pequenas e Médias Empresas], pela quantidade de impostos que lá vai buscar”.

Na área da justiça, Cristas disse que o partido está “a trabalhar em questões estruturais, mesmo se implicarem uma revisão constitucional”, e garantiu que continuará “a pugnar pela recondução da atual Procuradora-Geral de República”, que “dá garantias de isenção e de independência”.

A ‘rentrée’ do CDS-PP contou ainda com a intervenção do eurodeputado Nuno Melo, que apontou baterias ao primeiro-ministro António Costa, mas também ao Bloco de Esquerda (BE) e ao Partido Comunista Português (PCP), por apoiarem o atual Governo socialista.

António Costa foi sobretudo criticado pelo “número comicieiro” de, na ‘rentrée’ socialista a 25 de agosto, em Caminha, ter anunciado incentivos fiscais para os emigrantes que saíram de Portugal entre 2011 e 2015 e agora regressem ao país: “Só por muita mesquinhez e a pensar rigorosamente em 2019 é que se pode, em relação a um universo de emigração, num país que é feito de diáspora, ter uma ideia de seccionar os que saíram entre 2011 e 2015”, considerou Nuno Melo.

Segundo sustentou, o primeiro-ministro não pode esquecer “que quem saiu nos momentos dramáticos entre 2011 e 2015 não foram as pessoas prejudicadas por um Governo que cá esteve a pagar as contas que o dr. António Costa e os outros deixaram. Foram os espoliados do PS, que entre 2005 e 2011 arruinou as contas públicas e deixou as faturas para os outros pagarem”.

De acordo com o eurodeputado centrista, “houve também muita gente que saiu, depois de 2011 como antes disso, porque quis, como é o caso de “muitos jovens que quiseram ver mundo", "altos quadros que estão na banca" (como exemplo apontou Horta Osório) ou "funcionários das instituições europeias".

Neste contexto, questionou, sendo estes emigrantes “muito bem pagos, felizmente”, porque é que “hão de, regressando, ter um IRS cortado pela metade, enquanto quem cá está, com salários baixos, o paga na totalidade”?

Na mira de Nuno Melo estiveram também o BE (com o eurodeputado a criticar Marisa Matias, Mariana Mortágua, a polémica que envolveu Ricardo Robles e a atuação neste caso da coordenadora Catarina Martins) e o PCP (por numa altura em que “os comboios são suprimidos, as linhas são encerradas, o material circulante está decrépito e as estações estão ao abandono, nem uma manifestaçãozinha” promover).




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