Cavaco Silva espera que defesa do interior “não seja apenas uma figura de retórica”

Cavaco Silva espera que defesa do interior “não seja apenas uma figura de retórica”

 

Lusa/Ao online   Nacional   1 de Jul de 2018, 21:14

O antigo Presidente da República Cavaco Silva disse este domingo que o tema do interior voltou à agenda política e espera que "não seja apenas uma figura de retórica" nem remetido para as "gavetas do esquecimento".

"O interior de Portugal, a coesão territorial, tem sido uma constante, melhor, foi uma constante das minhas intervenções como Presidente da República. Voltou recentemente à agenda política. Felizmente. E é bom que aí permaneça para o futuro", referiu Aníbal Cavaco Silva em Sernancelhe, no distrito de Viseu.

O antigo Chefe de Estado lembrou que nos anos de 1990, quando foi primeiro-ministro, foi feito "um esforço histórico para melhorar as condições" do interior do país.

Destacou a construção de vias de comunicação, a construção de importantes obras de saneamento básico, de infraestruturas educativas, sociais, desportivas e culturais.

Depois, sustentou, devia ter-se seguido o apoio ao fortalecimento da base produtiva dos concelhos do interior e, neste campo, "as autoridades públicas falharam um pouco".

"Eu espero que agora, [com] estas ideias que se têm discutido ultimamente sobre o desenvolvimento do interior, não seja apenas uma figura de retórica e que, passado algum tempo, por razões partidárias, comecem apenas a olhar para as povoações onde estão os votos e remetam o desenvolvimento do interior para as gavetas do esquecimento. Eu espero que desta vez isso não aconteça", desejou.

O ex-Presidente da República referiu ainda que nas comemorações do Dia de Portugal em Castelo Branco, em 2011, centrou o seu discurso "no interior do país", chamando a atenção para as desigualdades de desenvolvimento, para o envelhecimento da população, para o despovoamento, e apontou linhas de orientação "para corrigir essa situação".

"Isto porque, numa República como a nossa, que se quer e se proclama social, se proclama inclusiva, nós não podemos aceitar que aqueles que nascem e que vivem em concelhos do interior não tenham as mesmas oportunidades do que aqueles portugueses que nascem e vivem no litoral de Portugal", justificou.

Em sua opinião, "é preciso passar a mensagem e cumprir essa mensagem de que os jovens que nascem em Sernacelhe têm oportunidades de subir a escada da vida e alcançar as mesmas possibilidades dos jovens do litoral de Portugal".

"É tempo de os poderes públicos tomarem medidas concretas para aproveitar a força, a garra, a tenacidade, a força de vontade da gente do interior", afirmou.

Para Cavaco Silva, é também tempo "dos poderes públicos fazerem um esforço para se juntarem àquilo que têm feito os autarcas do interior de Portugal no sentido de reduzir as assimetrias de desenvolvimento de Portugal".

"Se nós queremos um Portugal que siga um caminho de desenvolvimento sustentável no futuro, um país que preserve a coesão social e a coesão cultural, um país que evite divisões e tensões perigosas, então a correção dos desequilíbrios de desenvolvimento do país e o combate à quebra da natalidade do nosso país têm que ser erguidas", rematou.

Cavaco Silva, que foi primeiro-ministro entre 1985 e 1995 e Presidente da República entre 2006 e 2016, foi hoje agraciado com a Medalha de Honra do Município de Sernancelhe, presidido por Carlos Silva (PSD).

O autarca disse que a distinção foi atribuída porque o homenageado "olhou sempre" para Sernancelhe, um município do interior do país.

"Sernancelhe está-lhe grato. A nossa história registará para sempre os momentos em que se lembrou de nós, em que nos considerou e nos ajudou", afirmou.




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