Catarina Martins avisa que demissão de ministro “não é a única resposta”

Catarina Martins avisa que demissão de ministro “não é a única resposta”

 

Lusa/Ao online   Nacional   13 de Out de 2018, 07:17

A coordenadora do BE, Catarina Martins, registou esta sexta feira "a retirada de consequências políticas" de um "processo rocambolesco" como o roubo das armas de Tancos, mas considerou que a demissão do ministro da Defesa "não é a única resposta" necessária.

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, demitiu-se hoje do Governo para evitar que as Forças Armadas sejam "desgastadas pelo ataque político" e pelas "acusações" de que disse estar a ser alvo por causa do processo de Tancos, segundo a carta enviada ao primeiro-ministro, António Costa, e a que a agência Lusa teve acesso.

"Não há ninguém no país que não perceba a enorme gravidade de todo o caso do roubo de armas de Tancos e de todo o processo, até rocambolesco. Nós sempre dissemos que ele era bastante grave, o Governo parece agora retirar consequências políticas da gravidade deste caso", disse aos jornalistas Catarina Martins, que visita o Centro de Acolhimento Temporário para Refugiados, em Lisboa, quando foi conhecida a demissão de Azeredo Lopes.

O BE regista "a retirada de consequências políticas", mas a líder do partido fez questão de sublinhar que "há muitas perguntas sem respostas".

"E, portanto, eu julgo que uma demissão não é a única resposta de que precisamos neste caso, é preciso mesmo compreender o que se passou. Há uma investigação em curso e nós esperamos que o país possa ter as respostas que merece sobre um caso que tem toda a gravidade", defendeu.

Questionada sobre se considerava que esta demissão era tardia, Catarina Martins escusou-se a fazer comentários dizendo apenas que "a demissão foi hoje".

"Registo que aconteceu, registo que o Governo sentiu a necessidade de retirar consequências políticas do caso", insistiu.

A líder do BE aguarda "com confiança que toda a gente colabore com a justiça e que a justiça faça o seu trabalho".

"Há seguramente também respostas que pertencem à política e serão feitas as necessárias perguntas no parlamento quando chegar o devido momento", disse, escusando-se a adiantar as perguntas que o BE irá fazer.

Perante a insistência dos jornalistas, Catarina Martins respondeu que há perguntas que se tem de fazer "ao Governo e não ao Bloco".

"O Bloco de Esquerda não tem nenhuma relação direta ou indireta com a demissão do ministro, nem poderia ser. Isto é algo da exclusiva responsabilidade da esfera do Governo, que é como deve ser", respondeu, quando questionada sobre se foi apanhada de surpresa com a demissão de Azeredo Lopes.



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