Carlos Silva responsabiliza Governo por coesão social
22 de abr. de 2022, 10:47
— Lusa/AO Online
"Cabe
ao Governo evitar uma situação de rotura social. Ou o Governo percebe
que está perante uma eventual convulsão social e toma medidas que deem
aos trabalhadores a possibilidade de respirarem de alívio, ou então
temos realmente um problema", disse o sindicalista em entrevista à
agência Lusa.Carlos
Silva, que deixa a liderança da UGT no próximo congresso da central,
que se realiza sábado e domingo em Santarém, afirmou que as centrais
sindicais portuguesas estão disponíveis para mobilizar os trabalhadores,
caso estes voltem a ser sacrificados."Acho
que os trabalhadores vão estar disponíveis [para lutar], porque um
Governo de maioria absoluta implica responsabilidade absoluta e essa
responsabilidade implica dialogar com todos", disse à Lusa.Carlos
Silva alertou para as consequências da guerra na Ucrânia, tanto para
Portugal como para a Europa, nomeadamente a subida dos preços de bens de
primeira necessidade, e consequentemente o agravamento das condições de
vida dos trabalhadores e da população em geral."O
problema é que há muitos anos que o país vive em sacrifício", afirmou,
considerando que os trabalhadores portugueses não vão aceitar a
imposição de mais sacrifícios. "O Governo do PS tem obrigação, enquanto Governo de esquerda, de assegurar a coesão social", defendeu Carlos Silva.No
entanto, para o secretário-geral da UGT, é ainda tempo de dar o
benefício da dúvida ao novo Governo, que tomou posse recentemente."Os
primeiro 100 dias de Governo são fundamentais para perceber a sua
estratégia, se vai ou não haver diálogo. Por isso, não vamos fazer lutas
antes de o Governo ver o seu programa consagrado no parlamento",
assegurou.Carlos
Silva considerou ainda que os resultados das eleições legislativas de
janeiro mostram que "as pessoas querem estabilidade" e que essa
estabilidade "tem que resultar em paz social, com valorização dos
trabalhadores e dos salários"."O
Governo tem a perceção que é preciso aumentar os salários em Portugal,
que é preciso abandonar o paradigma dos baixos salários", defendeu.Segundo
o sindicalista, são necessárias medidas do Governo para assegurar a
mudança, mas para isso "é preciso existir vontade política". "Se
Governo quiser melhorar as condições de vida e de trabalho, tem agora
condições para o fazer na Assembleia da República", considerou,
referindo-se à maioria absoluta conseguida pelo PS.Carlos
Silva lembrou que o primeiro-ministro, António Costa, "ambiciona
celebrar dois acordos de concertação social no primeiro semestre deste
ano, um sobre a Agenda do Trabalho Digno e outro sobre Rendimentos e
Competitividade, [...] mas as empresas dizem sempre que não há condições
para aumentar salários".
"A UGT mantém disponibilidade para os dois acordos concertação, mas não
irá subscrever um acordo que não tenha como contrapartidas aumentos
salariais para os trabalhadores do setor privado, da Administração
Pública e do Setor Empresarial do Estado", prometeu.Isto
porque, segundo disse, "à UGT só lhe cabe defender, enquanto central
sindical, uma mais justa distribuição de riqueza e a diminuição da carga
fiscal". Acrescentou
que existem questões que a UGT há muito reclama, como a reposição do
valor do trabalho extraordinário para o valor pago antes da intervenção
da 'troika', tal como o valor das indemnizações por despedimento."Há
10 anos que o país não evolui, nem para voltar ao que vigorava antes da
'troika'. Se o Governo tem vontade política para repor que o faça",
disse Carlos Silva.