Câmaras de comércio dos Açores pedem novo modelo de transporte aéreo para a região

18 de mai. de 2013, 11:12 — LUSA/AOnline

O presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Mário Fortuna, considera que o atual modelo de transporte aéreo entre os Açores e o continente “não funciona” porque “não proporciona as passagens aéreas aos preços a que todos aspiram” e “já deveria ter sido alterado há algum tempo”. Para o economista e professor universitário, o modelo em vigor “limita fortemente o acesso ao mercado dos Açores” e “restringe o interesse” que o mercado açoriano possa ter para outras empresas de transporte aéreo que não aquelas que se candidatem à totalidade do sistema na região, porque implica assegurar obrigações de serviço público para as cinco ‘gateways’ (aeroportos com ligações para fora do arquipélago). “Não é por acaso que são essencialmente as empresas públicas portuguesas [TAP e SATA] que se prestam a esta prestação de serviço, criando elas próprias o efetivo monopólio, um arranjo que não é positivo para a globalidade dos setores que dependem da competitividade dos transportes aéreos para a sua sobrevivência e competitividade”, sublinha Mário Fortuna. “Este modelo torna o serviço pouco interessante para as companhias competitivas, o que retira do nosso mercado a concorrência que achamos que devia existir”, afirmou, acrescentando que se houvesse outras transportadoras a operar nos Açores, teriam sido “bastante úteis” face às recentes greves na SATA. O presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo, Sandro Paim, defende também que se deve “repensar” o modelo de transporte aéreo entre Açores e continente face aos “constrangimentos” que apresenta. “É preciso perceber as fragilidades que o atual modelo apresenta para o desenvolvimento normal da economia dos Açores”, declarou à Lusa. O empresário considera que um novo modelo tem de passar, “acima de tudo”, pelo “aumento da competitividade” dos Açores ao nível de mercadorias e de transporte de passageiros, designadamente através da “redução” do preço das tarifas. “É preciso repensar as obrigações de serviço público face ao existente e ao que pretendemos, bem como pensar a abertura a outras companhias aéreas para que não fiquemos dependentes de uma companhia regional que tem vivido momentos muito conturbados”, defende.