Bruno Magalhães abdica do Europeu de Ralis por falta de apoios

Bruno Magalhães abdica do Europeu de Ralis por falta de apoios

 

Lusa/AO online   Motores   21 de Set de 2018, 16:45

O português Bruno Magalhães abdicou da participação nas duas últimas provas do Europeu de Ralis (ERC) devido à falta de apoios para completar o orçamento necessário à participação no rali da Polónia, que arrancou hoje.


"É uma frustração muito grande ter de abdicar depois de ter andado dois anos a lutar pelo título, com vitórias e subidas ao pódio", disse à agência Lusa o piloto lisboeta.

Bruno Magalhães admitiu ter apenas 30 por cento dos cerca de 60 mil euros necessários para disputar o rali polaco, sétima das oito provas do campeonato europeu.

Após seis jornadas, o piloto que tem corrido com um Skoda Fabia R5 preparado pela ARC Sport, soma 115 pontos, menos 35 do que o russo Alexey Lukyanuk, que assim pode garantir a renovação do título já este fim de semana.

"Tem sido um desgaste muito grande andar há dois anos a lutar por apoios prova a prova", admitiu o piloto, tricampeão nacional de ralis entre 2007 e 2009, com a Peugeot.

A partir daí, o amadorismo foi o caminho, tendo disputado esporadicamente provas do Intercontinental Rally Challenge, primeiro, e do Europeu nos últimos dois anos, atividade que mantém em paralelo com a de empresário, dos ramos imobiliário e automóvel.

“Ia fazendo apenas as provas internacionais em Portugal, como o rali da Madeira e dos Açores. Tanto em 2017 como em 2018 foi assim, mas como os resultados foram aparecendo, fui conseguindo alguns apoios para ir fazendo outras provas. Mas, nesta fase do ano, as empresas esgotaram o orçamento para marketing e torna-se mais difícil completar os apoios necessários", explicou à Lusa Bruno Magalhães.

Uma época no Europeu exige “pelo menos 450 mil euros, numa versão low cost", frisou. Já para lutar pelo título, com cerca de uma centena de quilómetros de testes por prova, os valores podem chegar "aos 600 mil euros" por uma época.

Atualmente, Bruno Magalhães tinha na empresa grega de transporte marítimo Seajets o principal patrocinador, para além da Delta Cafés e do escritório do Parque das Nações da imobiliária ERA.

“Tem sido cada vez mais difícil encontrar apoios no meio automóvel. Só quem tenha uma grande empresa que apele aos seus fornecedores consegue patrocínios. Para um atleta, que apresenta ‘só' resultados, é cada vez mais complicado", desabafou.

Apesar de não ter números relativos à época passada, Bruno Magalhães lembra que em tempos chegou a gerar "cinco milhões de euros de retorno aos patrocinadores quando a exposição era menor do que agora”, que “luta por um título internacional”.

"Isso significa um retorno de cerca de 10 vezes em relação ao investimento feito, quando, por norma, só exigem o triplo", sublinha à Lusa.

Agora, o piloto garante estar já focado "em montar um projeto para o próximo ano". "Gostaria de continuar no Europeu, mas vai depender da vontade dos meus patrocinadores", diz, admitindo um regresso ao campeonato nacional "se for para ganhar".



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