Brasil: Julgamento do maior escândalo de corrupção da era Lula começa na próxima semana

Brasil: Julgamento do maior escândalo de corrupção da era Lula começa na próxima semana

 

Lusa / AO online   Internacional   28 de Jul de 2012, 12:30

O maior escândalo de corrupção nos governos de Lula da Silva (2003-2010), o "mensalão', começará a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro no próximo dia 2, colocando em risco a imagem construída pelo ex-estadista.

 

"A ameaça para a imagem de Lula é muito forte, potencialmente, mas ninguém sabe se realmente vai acontecer. Temos algumas ameaças no ar", afirmou à Agência Lusa o analista político da Universidade Federal de Brasília (UnB) David Fleischer.

As ameaças vêm dos principais acusados no processo, entre os quais o empresário Marcos Valério, acusado de ser o executor dos pagamentos ilegais, e do advogado do ex-deputado federal Roberto Jefferson, responsável por denunciar os envolvidos, em junho de 2005.

Ambos teriam informações extra para provar o envolvimento do ex-Presidente no esquema, e estariam dispostos a revelá-las, caso se sintam prejudicados no processo.

O esquema, conhecido no Brasil como "mensalão", envolvia o pagamento mensal de 30 mil reais (cerca de 12 mil euros) a deputados da base aliada do governo, então comandado por Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), em troca de apoio político.

Na altura, as acusações recaíram todas sobre José Dirceu, homem de extrema confiança de Lula da Silva, que ocupava então o Ministério da Casa Civil.

O escândalo levou José Dirceu a afastar-se do cargo, enquanto o Presidente saiu ileso das denúncias.

"Além das ameaças, há ainda o facto de que Lula tentou pressionar e fazer ‘lobby’ no Supremo para adiar [o início do julgamento]. Isso pode ter sido muito contraproducente, depende agora da 'raiva' que isso causou nos ministros", lembra Fleischer.

Segundo uma investigação da revista "Veja", em maio deste ano, o ex-Presidente teria procurado o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes para tentar adiar o início do julgamento do ‘mensalão’.

O momento em que o julgamento ocorrerá é visto como desfavorável para o Partido dos Trabalhadores (PT), tendo em vista a campanha para eleição municipais, que ocorre em outubro deste ano.

O processo julgará, ao todo, 38 réus, incluindo ex-membros da direção do PT, como o ex-ministro e ainda membro ativo do partido José Dirceu.

Entre os réus que acumulam o maior número de acusações, como o empresário Marcos Valério, é possível que a punição ultrapasse 40 anos de prisão.

Caso a maioria deles seja condenada, a imagem da atual Presidente Dilma Rousseff, que também pertence ao PT, pode também ser prejudicada, porque um dos "mensaleiros", José Genuíno, faz parte ainda hoje do seu Governo, como assessor do Ministério da Defesa.

O político foi colocado no gabinete por Nelson Jobim, ex-ministro da Defesa, afastado do cargo no ano passado, e mantido pelo atual ministro, Celso Amorim.

Outro ponto importante em jogo, segundo Fleischer, é o julgamento do próprio Supremo, que será acompanhado de perto pela população.

"A população brasileira vai julgar o Supremo dependendo do desempenho nesse caso. A credibilidade do Judiciário está em jogo e é importante que o Judiciário se saia bem", conclui.


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