Bonga festeja 76 anos em setembro com amigos em Lisboa


 

Lusa/Ao online   Cultura e Social   15 de Ago de 2018, 12:28

 O músico angolano Bonga celebra 76 anos no palco da Aula Magna da Universidade de Lisboa no próximo dia 05 de setembro com um espetáculo ao qual se referiu como “uma festa com amigos”.

Em entrevista à agência Lusa, Bonga disse que o espetáculo na Aula Magna “vai ser antes de mais um dia de festa” porque é o seu 76.º aniversário.

“Vou lá ter as pessoas que frequentam a minha casa, os familiares, os amigos e os fãs, que são uns miúdos incríveis, por conseguinte vai ser um espetáculo em que vamos recordar o que se canta lá em casa, desde o ‘Corrumba’ às ‘Frutas de Vontade’, fazendo vibrar num espetáculo que é um reencontro com pessoas que me querem muito”, disse o músico que recordou a carreira de mais de 40 anos.

Uma carreira que se confunde com a música angolana e a história do país, que retrata nas suas canções, e é feita de “muitas cumplicidades musicais”.

Bonga recordou “os tempos difíceis” que viveu, tendo chegado “a ser proibido de atuar, até em Angola”, e quando a música angolana, “de forma pejorativa, era chamada de folclore”.

“Houve um período de preconceito, em que chamavam [à música angolana] o folclore, o que era um bocado pejorativo, e [houve] obstáculos que tive de enfrentar, porque era uma música diferente, que não era valorizada, menos ouvida, e hoje, mais que nunca, tenho a consciência de ter posto um tijolo nessa grande construção que é a divulgação, consequente, desta nossa música angolana/africana”, afirmou o músico, acrescentando que a música angolana, atualmente, “é mais reconhecida e conceituada do que há 20 anos”.

Referindo-se às atuais fusões musicais como os ritmos ‘kizomba’ com ‘kuduro’, o músico considerou que “correm o risco de passar depressa”, ao contrário do género que sempre cantou, “o semba, que está definido, que é angolano, e é intemporal, aliás, mesmo os que fazem essas fusões acabam por vir bater ao semba”.

Bonga referiu-se ao semba como uma música “que tem uma expressão própria e uma vivência muito forte em relação a todo um povo que fez disso a sua forma de vida”.

Relativamente ao povo angolano, o cantor disse “que as populações continuam carentes e com grandes problemas”.

“É degradante saber que há crianças que morrem diariamente”, mas reconheceu que, atualmente, “há uma vontade política, com vista a uma melhor redistribuição da riqueza”.

No palco da sala da Cidade Universitária, Bonga vai ser acompanhado pelos músicos Betinho Feijó (guitarra e direção musical), Ciro Bertini (acordeão), Hernani Lagross (baixo) e Estêvão Gipson (bateria), e pela bailarina Joana Calunga.

No espetáculo, que contará “com algumas participações surpresa”, o alinhamento será feito pelos “temas de sempre”, como “Kissueia”, que definiu como uma “balada nostálgica, cheia de profundidade e recordação da terra de origem”, assim como “Mariquinha”, “Mulemba Xangola”, "Kambua", “Patxi Ni Ngongo” ou “Uma Lágrima no Canto do Olho”.

Bonga comparou-se ao Vinho do Porto, afirmando que “quanto mais velho melhor” e daí “continuar hoje a ser cantado pelos mais novos”.

José Adelino Barceló de Carvalho, de seu nome de registo, adotou na adolescência o nome de Bonga Kuenda, que apontou como o seu “verdadeiro eu”.

A sua estreia musical, em 1972, foi com o álbum “Angola’72”, ao qual se sucederam vários outros e, como disse à Lusa, continua “a ser muito solicitado”, nomeadamente em França, país que o distinguiu com a Ordem das Artes e Letras, grau de cavaleiro, em 2014.

Por Portugal, o músico angolano atuou, este ano, no Rock in Rio, em Lisboa, no Festival Med, em Loulé, recentemente, em Braga, e foi um dos participantes no espetáculo de final do ano, em 2017, na Praça do Comércio, em Lisboa, entre outras atuações.



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