Bispos chilenos apresentaram renúncia ao Papa

Bispos chilenos apresentaram renúncia ao Papa

 

Lusa/AO online   Internacional   18 de Mai de 2018, 14:30

Todos os bispos chilenos apresentaram a sua renúncia depois de três encontros com o papa Francisco, no Vaticano, na sequência do escândalo de abusos sexuais que abalou o clero no Chile.

Um total de 34 bispos do Chile foram convocados de 15 a 17 de maio para se reunir com o papa Francisco depois de uma série de erros e omissões na gestão de casos de abuso, especialmente em relação ao caso de Juan Barros, acusado de encobrir o padre Fernando Karadima.

Karadima foi condenado em 2011 pela justiça canónica a uma vida de reclusão e penitência por esses atos.

Juan Barros, nomeado bispo em março de 2015 pelo papa Francisco, foi acusado no Chile de encobrir os casos de abuso sexual cometidos pelo influente Fernando Karadima quando era pastor da igreja El Bosque, em Santiago.

Francisco convocou os bispos depois de descobrir que estava mal informado este caso tendo também reunido com as vítimas.

No final de três reuniões com o papa Francisco, os bispos anunciaram que assinaram um documento oferecendo a sua renúncia, colocando assim o seu destino nas mãos do papa.

Em conferência de imprensa sem direito a perguntas, o secretário-geral da Conferência Episcopal do Chile, Dom Fernando Ramos Pérez e o bispo de San Bernardo, Juan Ignacio González Errázuriz, leram um comunicado com o anúncio.

Os bispos referiram também que se vão manter em funções enquanto o papa não tomar uma decisão e pediram desculpas pela dor causada às vítimas pelos erros e omissões.

"Mais uma vez, imploramos seu perdão e sua ajuda para continuar avançando para a cura e a cicatrização de feridas", acrescentaram.

Francisco, que defendeu Juan Barros em janeiro, enviou a carta aos bispos chilenos depois de receber o relatório do arcebispo maltês Charles J. Scicluna, que viajou até ao Chile para ouvir depoimentos de alegadas vítimas dos abusos.

Depois de ler o relatório, que inclui 64 testemunhos, o papa pediu "a colaboração e a assistência" do clero chileno "no discernimento das medidas que, a curto, médio e longo prazo, deveriam ser adotadas para restabelecer a comunhão eclesial".

Depois das reuniões que manteve com os bispos durante esta semana, o papa Francisco acusou-os de terem destruído provas de crimes sexuais, pressionando os advogados da Igreja para minimizar as acusações e de "negligência grave" na proteção de crianças de padres pedófilos.

Num documento de 10 páginas entregue aos bispos chilenos durante os encontros que manteve, o papa disse que toda a hierarquia chilena da igreja era coletivamente responsável por “graves falhas” no tratamento de casos de abuso e a consequente perda de credibilidade da igreja católica.

O documento, divulgado pela emissora chilena T13 e confirmado como autêntico pelo Vaticano, contem parte das conclusões da extensa pesquisa conduzida pelo arcebispo de Malta, Charles Scicluna, e colocou uma pressão crescente nos bispos como um todo para que se demitam, já que Francisco disse que "ninguém pode se eximir e colocar o problema sobre os ombros dos outros".



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