Bispo de Angra diz que "ninguém deveria passar necessidades" na região

Bispo de Angra diz que "ninguém deveria passar necessidades" na região

 

Lusa/AO online   Regional   28 de Set de 2012, 11:16

O bispo de Angra, António de Sousa Braga, defendeu esta sexta-feira que os efeitos da crise poderiam ser minimizados nos Açores, onde ninguém deveria "passar necessidades", tendo em conta que a região é pequena e as pessoas são mais solidárias.

"Devíamos ser exemplares, no sentido de que não deveria haver ninguém a passar necessidades, porque nós conhecemo-nos todos e temos instituições e investimento para isso, é preciso é orientar bem", afirmou o bispo açoriano, em entrevista à agência Lusa.

O bispo de Angra salientou que os efeitos da crise já se notam nos Açores, sobretudo "pela falta de trabalho", o que tem levado ao aparecimento de mais famílias em dificuldades a pedir auxílio nos centros sociais das paróquias, na Cáritas e nas Conferências Vicentinas.

"As pessoas têm bastante sensibilidade se alguém precisa, mas começa a haver algumas famílias que estavam razoavelmente bem e que começam a ter dificuldades", afirmou, acrescentando que as instituições da Igreja registam uma diminuição da "capacidade de resposta" devido ao aumento de pedidos de ajuda.

António de Sousa Braga alertou para a possibilidade de a situação "piorar", nomeadamente devido ao desemprego no setor da construção civil, apesar de considerar que as pessoas nos Açores são mais solidárias, por viverem num meio pequeno.

"Os Açores são uma região pobre, não temos muitas possibilidades, dependemos muito, mas, como somos uma região pequena, noto que há uma solidariedade de proximidade, de vizinhança", salientou.

Para o bispo de Angra, os investimentos que o Governo faz no apoio a instituições de solidariedade "têm de ser muito criteriosos", mas também é necessário que os técnicos e as instituições tenham a capacidade de "acompanhar de perto" as pessoas.

"Estou convencido que, se houver um despertar da sociedade civil e das instituições privadas, a crise nos Açores pode ser um pouco mais esbatida, porque somos uma região pequena", defendeu.

O bispo católico admitiu que "ultrapassar esta crise" não depende só dos Açores, mas defendeu a necessidade de se promover uma mudança de hábitos.

"A crise vai exigir uma mudança, tem que haver outro estilo de vida, outra hierarquia de valores e as pessoas têm de ser motivadas para participar nisso", frisou, acrescentando que, além de mudanças estruturais, a crise exige também "uma mudança de mentalidade"

Nesse sentido, considerou que "tem de haver uma presença ativa e interveniente dos católicos", recordando que têm a "inspiração da doutrina social da Igreja", que os ensina a viver este momento de crise "como uma oportunidade de dar um salto na convivência e, se calhar, um salto de civilização".


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