Pedrógão Grande

BE quer rápida investigação às alegadas irregularidades


 

Lusa/Ao online   Economia   22 de Jul de 2018, 00:07

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) disse este sábado que as alegadas irregularidades nas ajudas para a reconstrução de casas destruídas no incêndio de Pedrogão Grande é um caso de justiça que exige uma rápida investigação.

"Este é, de facto, um problema da justiça e é preciso que haja uma investigação rapidamente e que tudo o que seja irregular seja corrigido e punido", afirmou Catarina Martins, em declarações aos jornalistas.

Falando em Amarante, durante uma visita ao festival Mimo, que decorre naquela cidade do distrito do Porto, a dirigente do BE assinalou que, face às possíveis irregularidades, não se pode "também agora lançar uma espécie de desconfiança para com toda a gente".

"O que é essencial é apoiar quem precisa. Relembro que é terrível quem se tenha aproveitado da tragédia, mas não podemos esquecer que há muitas reais vítimas da tragédia que ainda estão a aguardar apoio", reforçou.

Para a líder do BE, "não há ninguém no país que não fique chocado por saber que haja quem se queira aproveitar de uma tragédia e da solidariedade de todo um país para com as vítimas desta tragédia".

A revista Visão divulgou na quinta-feira que meio milhão de euros de donativos destinados à reconstrução de casas de primeira habitação terão sido desviados para casas não prioritárias, isto é, de segunda habitação.

A Visão referiu também casos de pessoas que mudaram a morada fiscal após o incêndio de forma a conseguirem o apoio do Fundo Revita ou de outras instituições, como a Cáritas, SIC Esperança, Cruz Vermelha, La Caixa, Gulbenkian ou Misericórdias.

Entretanto, o Ministério Público já abriu um inquérito para investigar as alegadas irregularidades na reconstrução de casas afetadas pelos incêndios de Pedrógão Grande, em junho de 2017.

O incêndio que deflagrou em junho de 2017 em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e que alastrou a concelhos vizinhos, provocou 66 mortos e mais de 250 feridos, sete dos quais graves, e destruiu meio milhar de casas, 261 das quais habitações permanentes, e 50 empresas.

Criado pelo Governo para apoiar as populações e a revitalização das áreas afetadas pelos incêndios de junho de 2017, o fundo Revita recebeu o contributo de 61 entidades, com donativos em dinheiro, em bens e em prestação de serviços. Os donativos em dinheiro rondam os 4,4 milhões de euros, a que se juntam 2,5 milhões de euros disponibilizados pelo Ministério da Solidariedade e da Segurança Social, apurou o relatório do Fundo Revita.

De acordo com os últimos dados do Fundo Revita, estão já concluídos os trabalhos de reconstrução de 160 das 261 casas de primeira habitação afetadas pelos incêndios de junho de 2017, pelo que se encontram ainda em obras 101 habitações.



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