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Banco Espírito Santo dos Açores deseja internacionalizar a economia regional

Banco Espírito Santo dos Açores deseja internacionalizar a economia regional

 

Rui Jorge Cabral   Regional   15 de Out de 2009, 08:30

O Banco Espírito Santo dos Açores (BES/A) pretende integrar proximamente alguns empresários açorianos nas comitivas que o banco a nível nacional costuma levar em viagens de reconhecimento económico e descoberta de oportunidades de investimento em países emergentes como Angola, Brasil, Marrocos, Líbia ou China.

"São economias que apresentam oportunidades extraordinárias e as respostas da economia no futuro, face às dificuldades da ‘velha’ Europa e dos Estados Unidos da América, estão nesses países", afirma o presidente da Comissão Executiva do BES/A. Para Gualter Furtado, "os Açores têm alguns sectores de actividade em que podem internacionalizar-se porque para alguns empresários regionais, a economia açoriana já não responde a todas as suas necessidades de crescimento". Gualter Furtado aponta mesmo as áreas em que essa internacionalização se pode dar: lacticínios; construção civil; transportes marítimos e pescas, para além de um outro sector que o presidente da Comissão Executiva do BES/A considera estratégico para a Região que é a Universidade dos Açores, através da internacionalização do seu ‘conhecimento’. Gualter Furtado falava ao Açoriano Oriental à margem do seminário "Economia Portuguesa e o seu Enquadramento Internacional", nesta qurta-feira, na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, onde o palestrante foi Carlos Andrade, economista-chefe da Espírito Santo Research, ligado à estratégia de internacionalização do banco. Carlos Andrade não tem dúvidas que o mundo "evitou uma nova grande depressão" como a dos anos 1930, mas acredita também que economia mundial não voltará a ser a mesma após esta crise. Portugal até não é dos piores exemplos e "a economia portuguesa está agora a beneficiar da melhoria, gradual mas já visível, do ambiente económico internacional, depois do susto grande do final de 2008", refere Carlos Andrade. Portugal foi bastante afectado pela crise, mas sobretudo por estar muito dependente do investimento externo, uma vez que, para o economista-chefe da Espírito Santo Research, "Portugal não estava exposto aos produtos ‘tóxicos’ como outras economias, nem viveu nos últimos anos uma ‘bolha’ imobiliária como a Espanha, a Irlanda ou os Estados Unidos". No entender de Carlos Andrade, Portugal vai crescer pouco nos próximos anos enquanto não melhorar "a sua capacidade de crescer de uma forma sustentada, o que passa por sermos mais produtivos e competitivos internacionalmente". Durante a sua intervenção na Universidade dos Açores, Carlos Andrade usou mesmo uma curiosa metáfora: o planisfério como nós o conhecemos actualmente e como ele poderá vir a ser no futuro. No planisfério actual, Portugal vem no centro de um eixo Atlântico que liga a Europa aos Estados Unidos. No planisfério do futuro, Portugal poderá ficar na periferia de um mundo com o Pacífico no centro e a Ásia em grande destaque. "Há um novo contexto económico global que sai desta crise e assistimos a alguma transferência de poder económico e político para Oriente e para Sul. Por isso, Portugal tem de tentar associar-se a esse processo, internacionalizando-se e oferecendo produtos de maior valor", conclui Carlos Andrade.


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