Açoriano Oriental
Autonomia regional é um dos grandes sucessos do Portugal democrático, diz Vasco Cordeiro

O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, defendeu esta segunda feira que a autonomia regional é um dos “grandes sucessos do Portugal democrático”, sustentando que este é o pilar do desenvolvimento económico, social e cultural dos Açores.

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Foto: GaCS/JAR
Autor: AO Online/ Lusa

“É essencial termos a lucidez e a consciência de percebermos que a importância e essencialidade desse instrumento que é a autonomia, necessitam, ainda hoje, de ser defendidas e preservadas. Defendidas e preservadas dos autonomistas de fachada de cá. Defendidas e preservadas dos centralistas confessos de lá”, considerou Vasco Cordeiro.

O governante falava na Calheta, na ilha de São Jorge, na cerimónia que marca o Dia da Região Autónoma dos Açores, que hoje se assinala.

Para o chefe do executivo socialista, “a realidade do que se alcançou em pouco mais de 40 anos não deixa margem, não deixa qualquer espaço para a dúvida, para a hesitação ou para a incerteza em afirmar que a autonomia regional é uma das grandes histórias de sucesso do Portugal democrático”.

Vasco Cordeiro assinalou ainda que, “umas vezes timidamente e outras nem tanto”, surgem posições que questionam “o mérito, o poder e a eficácia da própria autonomia”, o que, advogou, representa uma “absoluta e total inconsciência” e consiste numa “atitude infantil de atirar com o tabuleiro ao chão”.

“Em qualquer dos casos, o problema não está, como nunca esteve, na autonomia”, prosseguiu o presidente do Governo dos Açores, para quem os críticos da autonomia “confundem grosseiramente a legítima discordância política quanto a soluções e propostas dentro do sistema autonómico com a obtusa política da discordância com tudo e com todos, inclusive pondo em causa a própria autonomia à sombra da qual existem e medram”.

Depois, Vasco Cordeiro deu exemplos de melhorias em várias áreas: Em 1976, “as principais estruturas de Saúde estavam circunscritas apenas às duas maiores ilhas, e, em toda a região, trabalhavam cerca de 400 profissionais de saúde, entre os quais, menos de 80 médicos e cerca de 160 enfermeiros”.

Agora, por via da ação dos seus órgãos de governo próprio, “incluindo governos regionais de partidos diferentes”, a autonomia “criou soluções para os vários desafios que surgiram nessa área, sendo que, 40 anos depois” há na região três hospitais, 18 centros de saúde e “cerca de uma centena de postos de saúde que integram um Serviço Regional de Saúde no qual trabalham cerca de 5000 profissionais, sendo mais de 600 médicos e perto de 1600 enfermeiros”.

Na educação, a taxa de abandono precoce era, há 20 anos, de mais de 60%, sendo que em 2018 essa taxa ficou nos 28.3%.

“Com estas referências não pretendo ignorar a dimensão dos desafios que ainda temos à nossa frente, por exemplo, quanto à redução da taxa de abandono escolar precoce que é a mais elevada do país, ou quanto a outros indicadores como os relacionados com o consumo de álcool, tabaco ou substâncias estupefacientes, ou, de forma mais pragmática, a redução das listas de espera, para apenas citar alguns”, assinalou todavia o presidente do executivo açoriano.

E concretizou: “Com estas referências e com estes exemplos pretendo tão só evidenciar o percurso que fizemos, que esse percurso só foi possível fazer em Autonomia e que, sob qualquer ponto de vista, nessa base, a conclusão impõe-se: a autonomia regional é um dos grandes sucessos do Portugal democrático”.


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