"Eu percebo que os países na zona euro podem não apreciar conselhos de países de fora", admitiu Cameron, num discurso hoje sobre economia hoje em Manchester, que argumentou, ainda assim, que a crise também está a afetar o Reino Unido, exposto "seis vezes mais à zona euro do que os EUA" em termos de trocas comerciais.
Por isso, o chefe do governo britânico hoje arriscou indicar "três coisas que precisam de acontecer para a moeda única funcionar devidamente".
A primeira, enumerou, é a necessidade de os países da periferia europeia continuarem a "tomar os passos difíceis de cortar a despesa, aumentar as receitas e adotar reformas estruturais para se tornarem competitivos".
A segunda, algo que "o governo britânico defende há um ano", continuou Cameron, é a necessidade de "soluções que proporcionem formas de maior apoio e responsabilidade coletivos, entre as quais as ‘eurobonds’ [obrigações europeias] são um exemplo possível".
"Decisões como estas são necessárias para acabar com a especulação sobre o futuro do euro", insistiu.
Por fim, refere ser necessário resolver "a baixa produtividade e falta de dinamismo económico na Europa, que continua a ser o seu calcanhar de Aquiles".
"A zona euro está numa encruzilhada", constata Cameron, para quem os 17 têm de decidir se ficam juntos ou se separam. "Qualquer que seja o caminho escolhido", o Reino Unido estará "preparado para fazer o que for preciso" para proteger a economia e o sistema financeiro britânicos.
Por várias vezes, o líder do partido Conservador já afirmou que o Reino Unido nunca iria aderir ao euro enquanto ele fosse primeiro-ministro por não concordar com a união monetária.
Segundo a comunicação social britânica, o assunto poderá ser abordado esta tarde durante uma video-conferência com a chanceler alemã, Angela Merkel, o recém eleito presidente francês, François Hollande, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.
