Pobreza

Associações sensibilizam Cavaco para pobreza


 

Lusa/AOonline   Economia   10 de Nov de 2008, 17:52

Representantes de várias associações sensibilizaram hoje o Presidente da República para o fenómeno da pobreza, numa altura em que estimam que mais de mil milhões em todo o mundo não consigam ter uma refeição diária.
"Mais de mil milhões vão dormir sem uma refeição por dia", afirmou João Pedro Martins, da Rede Miqueias, em declarações aos jornalistas à saída de uma audiência com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, no Palácio de Belém.

    Questionado se a situação se agravou com a actual crise financeira e económica, João Pedro Martins respondeu afirmativamente, considerando que "mais pessoas caíram no fosso da pobreza".

    Por isso, representantes da Rede África-Europa, Fé e Justiça (AEFJN), pela Antena AEFJN, da Rede Miqueias, do Objectivo 2015 e da Pobreza Zero tentaram hoje sensibilizar Cavaco Silva para a realidade actual.

    "É preciso sensibilizar os políticos para a pobreza, que é um crime público porque há uma violação dos direitos humanos", salientou o representante da Rede Miqueias.

    Porque, acrescentou, "os pobres não precisam de esmolas, mas de justiça e, principalmente, de oportunidades".

    Desta forma, continuou João Pedro Martins, um dos objectivos das associações que se deslocaram hoje ao Palácio de Belém é "trabalhar com os partidos políticos", apresentando-lhes propostas concretas.

    "É preciso partilhar e haver um envolvimento para que a luta seja travada por todos", corroborou Bruno Neto, coordenador da Pobreza Zero.

    Valentim Gonçalves, da Rede África-Europa, enfatizou igualmente a necessidade de "sensibilizar as pessoas que estão nos centros de decisão para que as medidas sejam tomadas".

    "É preciso que face à fragilização a que [os pobres] estão sujeitos não sejam esquecidos e esmagados", declarou, apontando o exemplo do problema das migrações, que está apenas a ser tratado com "paliativos" e não com "um verdadeiro remédio".

    "É preciso um novo paradigma, uma atitude diferente, uma visão aberta e não mesquinha", defendeu ainda Valentim Gonçalves.

    Os representantes da Rede África-Europa, Fé e Justiça (AEFJN), pela Antena AEFJN, da Rede Miqueias, do Objectivo 2015 e da Pobreza Zero apresentam ainda ao Presidente da República os resultado da campanha "Levanta-te e Actua", que mobilizou 93.707 pessoas em Portugal, o país que percentualmente mais gente movimentou na Europa.

    O "Levanta-te e actua contra a Pobreza e pelos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio" é um apelo global para que as pessoas se levantem exigindo que os seus governos cumpram as promessas de acabar com a pobreza extrema e que se alcancem os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) até 2015.

    No encontro com Cavaco Silva, as instituições derão também a conhecer a Cavaco Silva a "Carta aberta contra a pobreza e desigualdade" que foi já assinada por 280 entidades civis e outras ligadas à igreja.

    Na carta aberta, os signatários afirmam que "é preciso lembrar os políticos das promessas públicas assumidas pelos 189 Estados-Membros das Nações Unidas quando assinaram, em Setembro de 2000, a Declaração do Milénio e se comprometeram a reduzir para metade a pobreza extrema até 2015".

    O Banco Mundial define a pobreza extrema como viver com menos de 1,25 dólares por dia. Todos os dias mais de mil milhões de pessoas vivem nestas condições de miséria deplorável. Em Portugal uma em cada cinco pessoas vive no limiar da pobreza.

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