Associações querem que preço do peixe acompanhe aumento do gasóleo


 

Lusa / AO online   Economia   27 de Nov de 2007, 14:59

Onze associações de armadores do país reivindicam aumentos no preço do peixe, face ao agravamento das despesas com os combustíveis, e decidiram, em Peniche, constituir uma comissão representativa do sector para reunir com o Governo.
"Foi decidido criar uma comissão de quatro dirigentes representativos dos principais segmentos da pesca e reiterar ao secretário de Estado que se digne marcar uma reunião para analisarmos os problemas derivados da escalada dos preços dos combustíveis", disse Humberto Jorge, porta-voz das associações, no final da reunião.

"É uma derradeira possibilidade que estamos a dar ao Governo para em conjunto encontrarmos as soluções mais adequadas", reforçou o dirigente, adiantando que os "os armadores têm vindo a pressionar as associações para haver uma paralisação" do sector.

"Há segmentos em que só o custo dos combustíveis representa mais de 40 por cento da sua produção", pelo que os armadores pretendem que sejam "encontradas formas de fazer reflectir o agravamento do preço dos combustíveis na venda do pescado", como o aumento do IVA sobre o peixe, à semelhança do que acontece em Espanha e França.

Actualmente, o sector não tem controlo sobre os preços perante a imposição do regime da venda do pescado em leilão.

Se nada for feito, os armadores ponderam deixar as embarcações em terra, quando os lucros não cobrem os custos de produção, com o gasóleo a 60 cêntimos o litro.

"Como a pesca está, o peixe é pouco e com os preços do gasóleo a disparar não conseguimos só trabalhar para o combustível", lamenta Bernardino Francisco, armador há 45 anos e dono do "Leão marinho", um dos 400 barcos que operam a partir do Porto de Peniche.

Dário Miguel, da embarcação "Dário Filipe", opta por ir "vender a Vigo, uma vez que embarcamos combustíveis mais baratos, o gelo e os iscos são mais baratos e vende-se melhor o peixe".

"Em Espanha pagamos o gasóleo cinco cêntimos mais barato e conseguimos vender o peixe um euro ou dois mais caro por quilo", explica.

As 11 associações de armadores, de norte a sul do país, representam 1.000 embarcações e 12 mil pescadores.

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