Associações portuguesas no Canadá precisam voltar-se mais para os jovens, dizem dirigentes

Associações portuguesas no Canadá precisam voltar-se mais para os jovens, dizem dirigentes

 

Lusa/Ao online   Internacional   31 de Mar de 2019, 11:00

Dois líderes comunitários defenderam este domingo que as associações portuguesas continuam a ser importantes na promoção da cultura portuguesa no Canadá, mas, cada vez mais, "necessitam de se voltar para os mais jovens".

O "orgulho em ser português" acaba por ser um dos motivos principais que fazem os jovens lusodescendentes continuarem ligados às raízes e à cultura portuguesas, disse à Lusa Adam da Costa Gomes, de 21 anos.

"Hoje em dia, em países como o Canadá, é muito difícil encontrar este orgulho e ter estas ligações às tradições e às raízes e culturas portuguesas. Devo muito aos meu pais por me incentivarem e mostrarem que é bom ser português e ter orgulho nas nossas raízes", disse o aluno de português da Universidade de Toronto.

A Associação Portuguesa da Universidade de Toronto (UTPA), organização com mais de 35 anos, promoveu no final desta semana um evento que juntou várias dezenas de estudantes lusodescendentes com o objetivo principal de se "mostrar à comunidade escolar".

Filho de emigrantes de S. Miguel (Açores) e de Torres Vedras (Lisboa), Adam da Costa Gomes, que há 10 anos integra o Rancho Folclórico Cultural Português de Mississauga, reconhece que "é difícil encontrar respostas para o facto de não se verificar um maior envolvimento dos jovens com a comunidade".

E, como enalteceu o também diretor da UTPA, "o importante é manter esta ligação e este orgulho pelas raízes e não perder o sentimento de união, não perder esta ligação".

A iniciativa teve a participação da Luso-Can Tuna (Tuna Portuguesa da Universidade de Toronto), do Rancho Folclórico ‘Os Camponeses' de Toronto e de talentos locais.

São mais de 40 os clubes, as associações e os ranchos folclóricos portugueses na província do Ontário, sendo que a maioria está localizada na Grande Área de Toronto.

"É muito importante continuarmos ligados às nossas raízes e aprendermos algo mais sobre a nossa cultura”, referiu, por seu lado, Tânia Barbosa, de 21 anos.

A estudante de Ciências Forenses na Universidade de Toronto, filha de emigrantes de Valença e de Arcos de Valdevez (Viana do Castelo), reconheceu ainda a "importância das associações em promoverem a cultura portuguesa em eventos como a Páscoa, o Carnaval ou a Festa dos Reis", mas também "devem organizar eventos dirigidos para a faixa etária mais jovem".

"Já há associações culturais a organizarem iniciativas como noites de bowling. É na associação, mas os jovens interessam-se por este género de iniciativas. Muitos não querem ir para uma festa e ouvir os ranchos. É também importante que se fale português e inglês com aqueles que não se sintam tão à vontade com a nossa língua", justificou Tânia Barbosa, também membro da UTPA.

Associações como a UTPA são "fundamentais para que os alunos lusodescendentes se identifiquem com a cultura", para desta forma "poderem estabelecer laços familiares com a cultura lusófona, com o país, com a história e com a própria língua portuguesa", salientou a professora auxiliar no Departamento de Espanhol e Português na Universidade de Toronto Anabela Rato.

Trata-se de "uma associação que procura reunir o maior número de apoios para poder dividi-los com os colegas, como é visível nas próprias ofertas generosas de bolsas de estudo, anualmente atribuídas" e "uma associação que não se cinge apenas ao espaço universitário ou aos trabalhos académicos", acrescentou.

Já a leitora do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua nesta mesma instituição de ensino universitário, Luciana Graça, realçou que, com a associação, os lusodescendentes "sentem-se mais facilmente integrados na vida académica, pois sentem-se desde logo já perto - e parte - de uma comunidade".

No primeiro semestre deste ano letivo, os alunos de português intermédio e avançado escreveram livros infantis cujo mote era um provérbio popular de um país lusófono.

Os livros concebidos pelos alunos serão agora enviados para crianças de Angola e de Cabo Verde, graças aos apoios do Departamento de Espanhol e de Português, da Coordenação de Ensino do Português no Canadá/Camões, I.P., da Academia do Bacalhau de Toronto e da Angolan Community of Ontario - ACO.

Estão inscritos no programa de português da Universidade de Toronto, neste ano letivo, cerca de 170 alunos.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.