Assembleia Municipal do Porto discute venda de "imóveis que integram o hotel Carlton"


 

Lusa / AO online   Nacional   24 de Abr de 2010, 13:09

A venda em hasta pública de um “conjunto de imóveis que integram o Hotel Carlton”, na Ribeira, é um dos pontos da ordem de trabalhos da próxima reunião da Assembleia Municipal do Porto, marcada para segunda feira.

“Temos muitas perguntas e dúvidas para colocar sobre este ponto”, adianta a deputada socialista Teresa Lago. “O nosso voto vai depender dos esclarecimentos que forem prestados”, informou.

A venda foi aprovada pelo executivo municipal no mês passado e abrange 10 edifícios, oito dos quais já estão ocupados pelo hotel Carlton (Grupo Pestana), que assim poderá expandir as suas instalações.

A proposta foi então aprovada com a abstenção dos vereadores socialistas e com o voto contra de Rui Sá, vereador da CDU, para quem este “não parece ser um bom negócio para a câmara do Porto”.

Na assembleia municipal, a CDU também votará conta esta operação. “Só há uma CDU”, salienta o deputado comunista Artur Ribeiro.

“É uma proposta à medida do Carlton. Estamos convencidos de que foi o Carlton que propôs isso”, opina Artur Ribeiro.

Esta força política diz que a autarquia avalia o conjunto de imóveis em cerca de oito milhões de euros mas a base de licitação para venda em hasta pública não chega aos cinco milhões.

“Como neste momento já lá está a funcionar um hotel (Carlton), que vai estar lá até 2017 pagando cerca de quatro mil euros de renda por mês, há um ónus sobre esses prédios e em vez de se vender por oito milhões, vão pôr uma base de licitação de quatro milhões de euros”, salientou o vereador comunista Rui Sá.

A operação mexe com as famílias que vivem nos prédios a alienar, obrigando-as a sair de lá. Para a CDU, esses moradores devem ser realojados em habitações devolutas da mesma freguesia (S. Nicolau).

O Bloco de Esquerda também é de opinião que esta é “uma operação claramente montada em função dos interesses do Hotel Carlton”, registando ainda que os “inquilinos não têm sequer direito de preferência” neste negócio.

O PS vai para a assembleia municipal com dúvidas acerca desta operação, nomeadamente sobre o montante pelo qual esses prédios serão postos à venda, e frisa que “a Câmara passa a vida a alienar as suas propriedades em troca de nada”.

“Não pode ir vendendo à medida que surge um comprador”, aponta Teresa Lago.


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