Artista transforma em arte lixo recolhido das praias da Ericeira

Artista transforma em arte lixo recolhido das praias da Ericeira

 

AO Online/ Lusa   Nacional   31 de Ago de 2019, 11:20

Parte do lixo que o mar despeja nas praias da Ericeira, no concelho de Mafra, durante as tempestades de inverno, é recolhido pelo alemão Alexander Kreuzeder para o transformar em arte.

“Para mim, o lixo é um material para trabalhar e para criar uma mensagem para reduzir, reciclar e reutilizar o lixo e para outras pessoas verem que poderemos construir objetos bonitos a partir do lixo”, refere à agência Lusa.

Desde 2015 que este artista alemão percorre o mundo a consciencializar o planeta para que “mantenha o oceano limpo”.

Há cinco anos decidiu fixar-se na zona da Ericeira, no distrito de Lisboa, para surfar as ondas da única reserva de surf da Europa, mas também para desenvolver o projeto de educação pela arte da associação internacional Skeleton Sea, de que é um dos fundadores.

“Os surfistas passam muito tempo na água, sentem que a poluição nos oceanos está a aumentar e daí este projeto”, afirma, defendendo que “é urgente mudar os hábitos diários”.

Através da associação, promove todo o ano, mas sobretudo de inverno, ações de limpeza das praias, envolvendo escolas, e organiza oficinas, onde as crianças aprendem a separar os resíduos recolhidos e a transformá-los em brinquedos ou objetos de arte.

“Em Portugal, encontramos montanhas de lixo nas praias no inverno, aquando das grandes tempestades”, refere.

Grande parte desse lixo é oriundo da pesca, como boias, caixas térmicas e redes, descreve, alertando que as artes de pesca “são prejudiciais à vida marinha”, uma vez que animais como as tartarugas e os golfinhos ficam presos e acabam por não sobreviver.

Ao lixo da pesca, junta-se o doméstico, de que são exemplo as embalagens de plástico e os cotonetes: “Quando pensamos que a praia está limpa, aparecem a todo o momento”, frisa.

Com os mais variados resíduos, este artista já criou cerca de meia centena de peças de arte, que se encontram espalhadas por todo o mundo, e está a colecionar cotonetes para vir a construir uma nova peça.

“Tenho talvez uns 10 mil neste momento, mas preciso de muitos mais, porque são pequenos e quero construir uma grande peça”, explica o artista.

Entre as suas peças constam um cavalo marinho de dois metros, construído a partir de restos de cordas e de embalagens de plástico, assim como um enorme golfinho, feito a partir de restos de fatos de surf e dos sacos das pranchas.

Restos de cordas serviram-lhe já para construir um polvo, com mais de metro e meio de diâmetro, enquanto com tubos de plástico deu forma a um tubarão em tamanho real.

Com paus e troncos de madeira criou outro golfinho e outro tubarão e com pedaços de sacos de plástico de diferentes cores construiu uma pequena ave.

Existem também aves esculpidas nas rochas do mar ou construídas com cotonetes e esferovite, um quadro com ossos de um animal marinho, uma peça em ferro com sardinhas e uma cabeça de cavalo feita com paus e troncos de madeira.

As peças são cedidas ou vendidas sobretudo para exposições temporárias ou permanentes, como a que se encontra a decorrer no Oceanário de Lisboa.



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.