ARAN quer mais fiscalização para evitar o fecho de oficinas em risco

ARAN quer mais fiscalização para evitar o fecho de oficinas em risco

 

Lusa / AO online   Economia   18 de Ago de 2012, 12:12

As oficinas portuguesas estão em dificuldades financeiras devido a clientes faltosos e o presidente da Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN) quer que o Governo reforce a fiscalização para evitar a "concorrência desleal" praticada por estabelecimentos que simularam falsas insolvências.

 

Em declarações à Lusa, António Teixeira Lopes explica que a ARAN tem vindo gradualmente a perder vários dos seus associados - em 2007 eram 3.000 em todo o país e agora são só 1.200 os que liquidam regularmente as suas quotas - e realça que, "só nas últimas três semanas, a instituição recebeu cerca de 30 cartas de empresas que dizem que queriam manter-se ligadas à associação mas não têm forma de pagar os seus serviços".

Para António Teixeira Lopes, a situação que se vive no setor automóvel é “muito grave".

O problema vem-se verificando em todo o país, mas estará a tornar-se mais preocupante em zonas rurais e localidades do Interior, "onde sempre houve o hábito de conceder crédito aos clientes, num funcionamento em moldes quase familiares, e depois os empresários sentem algum embaraço em irem cobrar junto das pessoas os valores que elas devem".

O presidente da ARAN realça que a situação é ainda agravada pelo número de oficinas que "declararam insolvência, mas que, depois de fecharem as portas, continuam a trabalhar na clandestinidade, numa concorrência totalmente desleal para com os colegas que continuam a ter que cobrar IVA pelos seus serviços - o que representa um quarto do valor global da reparação".

"Essas oficinas ilegais também ficam a ganhar em relação às outras porque não pagam serviços de Higiene e Segurança no Trabalho", acrescenta o mesmo responsável, "nem têm custos com a recolha de resíduos, que passam a fazer de qualquer maneira, enquanto uma oficina pequena que cumpra as normas legais gasta facilmente 500 euros por mês só com isso".

É por todos esses aspetos que António Teixeira Lopes reclama: "O Governo tem que reforçar a fiscalização e acabar com a ilegalidade desta concorrência feroz, porque a situação está a ficar completamente aflitiva para as oficinas que cumprem a legislação e é preciso repor alguma justiça a este nível".

O responsável da ARAN recomenda que a fiscalização se estenda ainda aos próprios automobilistas, junto dos quais a crise também vem surtindo os seus efeitos. "As pessoas cortam na manutenção dos seus carros e há cada vez mais automóveis a circularem sem seguro", garante. "Isto significa que há cada vez menos segurança nas estradas e isso nota-se sobretudo em dias de chuva, quando esses veículos representam um perigo tremendo para a circulação".

"A prolongar-se este cenário, serão cada vez mais as oficinas a fechar, com a agravante de as pessoas que lá estão a trabalhar serem de uma faixa etária muito elevada, de média superior aos 50 anos", explica o presidente da ARAN. "Ir para o desemprego é mau em qualquer idade, mas, tratando-se de pessoas com mais de 50 anos, o que é que elas vão fazer depois? Vão roubar para viver?".


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